A Graça da Alegria

August 20, 2015

     Ser cristão significa sentir a alegria de pertencer totalmente a Cristo, «único esposo da Igreja» e ir ao encontro dele como se fôssemos para uma festa de casamento. Portanto, a alegria e a consciência da centralidade de Cristo são as duas atitudes que os cristãos devem cultivar no dia-a-dia.

 

A reflexão do Papa Francisco inspirou-se no episódio evangélico proposto pela liturgia, no qual o evangelista Lucas narra o confronto entre Jesus, os fariseus e os escribas sobre o facto que os discípulos que estão com ele comem e bebem enquanto os outros jejuam (Lc 5, 33-39). O Pontífice explicou o que Jesus, na sua resposta aos escribas, quer fazer entender.

       Ele apresenta-se como esposo: «Ele é o esposo. A Igreja é a esposa. E no Evangelho muitas vezes esta imagem volta: as virgens prudentes que esperam o esposo com as lâmpadas acesas; a festa que o pai faz para as núpcias do filho». Com a sua resposta aos escribas, o Senhor diz que quando se é esposo não se pode jejuar, não se pode ficar triste. O Senhor faz-nos ver aqui a relação entre ele e a Igreja como núpcias. Eis, o motivo mais profundo pelo qual a Igreja protege muito o sacramento do matrimônio. E chama-o sacramento grande porque é precisamente a imagem da união de Cristo com a Igreja. Portanto, quando se fala de núpcias fala-se de festa, de alegria; e isto indica a nós cristãos uma atitude: «o cristão quando encontra Jesus Cristo e começa a viver segundo o Evangelho, deve fazê-lo com alegria. Uma alegria, porque é uma grande festa.
       Quando o Senhor passa na nossa vida, diz-nos sempre uma palavra e faz-nos uma promessa. Mas pede-nos também para nos despojarmos de algo e confia-nos uma missão.

       O Senhor passa na nossa vida como aconteceu na vida de Pedro, de Tiago e de João. Neste caso, o Senhor passou na vida dos seus discípulos com um milagre. Mas,Jesus nem sempre passa na nossa vida com um milagre. Embora, faz-se sempre ouvir. E quando o Senhor passa, diz-nos algo, faz-nos sentir algo, depois diz-nos uma palavra, que é uma promessa; pede-nos algo no nosso modo de viver, que deixemos algo, para nos desprendermos das coisas. Além disso, confia-nos uma missão.

       Estes três aspectos da passagem de Jesus na nossa vida estão bem representados no trecho de Lucas. O Senhor, quando vem à nossa vida, quando passa no nosso coração, diz-nos sempre uma palavra e faz-nos uma promessa: Vai em frente, com coragem, não temas: tu farás isto!. É um convite a segui-lo. E quando ouvimos este convite e constatamos que na nossa vida há algo errado, devemos corrigi-lo e devemos estar prontos para deixar qualquer coisa, com generosidade.

       Por fim, o momento da missão: A oração ajuda-nos sempre a compreender o que devemos fazer. Eis então a síntese do nosso orar: Ouvir o Senhor, ter a coragem de nos despojarmos de algo que nos impede de o seguir imediatamente e, por fim, assumir a missão. Isso não quer dizer que não se devem enfrentar algumas tentações.

       Pedro pecou gravemente renegando Jesus. Mas depois o Senhor perdoou-o, Tiago e João pecaram devido ao carreirismo. Mas também a eles o Senhor concedeu o perdão. Por conseguinte, é importante rezar tendo bem presentes estes três momentos: A humildade, a mansidão, o amor, a experiência da cruz são os meios através dos quais o Senhor derrota o mal. E a luz que Jesus trouxe ao mundo vence a cegueira do homem, muitas vezes deslumbrado pela falsa luz do mundo, mais poderosa mas enganadora. Cabe a nós saber discernir qual é a luz que vem de Deus.

       A identidade cristã é identidade da luz, não das trevas. E Jesus trouxe esta luz ao mundo. Hoje pensamos que seja possível obter esta luz que rasga a escuridão através das descobertas científicas e de outras invenções do homem. Mas a luz de Jesus não é uma luz de ignorância! É uma luz de sabedoria, de conhecimento. A luz que o mundo nos oferece é uma luz artificial. Forte como um fogo de artifício, como um flash de fotografia. Ao contrário, a luz de Jesus é uma luz humilde, é uma luz suave, uma luz de paz.

       Peçamos ao Senhor que nos dê hoje a graça da sua luz e nos ensine a distinguir quando a luz é a sua luz e quando é uma luz artificial irradiada pelo inimigo para nos enganar.

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 36 de 08 de Setembro de 2013

 

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