Eu Sou a Videira Verdadeira

August 20, 2015

 

       Com estas palavras Jesus inicia um discurso que interpela profunda­mente, como passamos a considerar.

       1)  "Jesus é a verdadeira videira"... Já no Antigo Testamento ocorria a imagem da videira para designar o povo de Israel infiel ao Senhor Deus (cf. Is 1, 5). No Evangelho Jesus aparece como a videira; Deus se faz homem e comunica assim aos homens a capacidade de viver a vida de filhos de Deus. Isto dá a ver que o Cristianismo não é apenas uma escola de bons costumes, mas é uma comunhão de vida com o próprio Deus. Jesus é o primeiro Sacramento da graça; por sua humanidade (de gestos, palavras, ações...) passavam os dons de Deus aos homens. Ora, o Batismo torna a criatura ramo dessa videira indefectível.

         2)  "Aquele que produz fruto, o Pai o poda para que dê mais fruto ainda" (Jo 15, 2).

Os bons não são privilegiados, mas, ao contrário, podados. A poda não é um castigo, mas é o corte dos alimentos que dispersam a seiva; a poda permite maior fecundidade. Assim todo cristão que tende à perfeição é podado pelo Pai, para que se desligue de todas as bagatelas e procure mais concentrar-se em Deus.

       A vida dos Santos é um testemunho concreto dessa salutar podagem. Aliás, ela pode ser identificada com o processo educacional de que fala a Epístola aos Hebreus: "Qual é o filho cujo pai não o educa? Se estais priva­dos da educação da qual todos participam, então sois bastardos e não fi­lhos... Deus nos educa... a fim de nos comunicar sua santidade. Toda edu­cação no momento não parece motivo de alegria, mas de tristeza. Depois... produz um fruto de paz e de justiça" (Hb 12, 7-11). O cristão é chamado a viver o seu processo educativo com alegria inspirada pela fé.

        3)  "Todo ramo que em mim não produz fruto, o Pai o corta..." A pers­pectiva é triste, mas ninguém pode saber quantos são assim cortados, pois até o último instante do pecador, a graça lhe assiste, a fim de que se con­verta. É inútil tecer arrazoados a respeito.

       4)  Todo aquele que permanece em mim e eu nele, produz muito fru­to, porque sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15, 5). Aqui ressoa a doutrina da mútua imanência, muito cara a São João, que, de um lado, realça a nobreza do cristão e, doutro lado, lhe manifesta a sua pobreza ou total indigência. São Paulo a explicita em 1 Cor: "Ninguém se ensoberbeça... Que possuis que não tenhas recebido? E, se recebeste, porque haverias de teensoberbecer como se não o tivesse recebido?" (4, 6s).

        Possam as palavras do Senhor levantar os ânimos de quem é visita­do pelo Divino Vinhateiro!

 

Dom Estevão Bettencourt

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