A Clausura da Verdade

September 14, 2015

      Falar sobre os problemas que a Igreja enfrenta na sociedade moderna não é fácil. Não por que corremos o risco de sermos sectários, mas por que o tema realmente é complexo e exige aprofundamento e a busca pela verdade. Elementos quase sempre excluídos da maioria das análises feitas pela mídia e pelos “teólogos de plantão”. Muito há do que falar e vários caminhos a tomar quando tentamos estabelecer alguns parâmetros de análise e julgamento de uma instituição de 20 séculos de existência. Os anacronismos históricos também fazem parte deste buffe que está ao bel prazer de qualquer um que queira se julgar no direito de dizer o que quiser desta Igreja, que todos podem criticar, mas que não pode criticar ninguém.

     Uma cena pouco explorada pela mídia pode ajudar o desenvolvimento deste tema: Algumas mulheres participantes do movimento “marcha das vadias”, que surgiu na Europa com o objetivo de protestar contra a declaração de um policial; adentraram no meio de uma multidão de jovens participantes da JMJ do Rio de janeiro. Seminuas, começaram a esfregar símbolos cristãos em suas genitálias como forma de protesto. Uma cena que pode retratar a postura de uma significativa parte da sociedade secular com relação à Igreja. Mas, por que nos encontramos nesta “situação”. Se por um lado a Igreja apresenta sérios problemas como pedofilia, desvios de dinheiro, distanciamento da sociedade, dentre outros. Por outro lado, como anda a sociedade secular? Problemas como pedofilia, desvios de dinheiro e alienação, não estão excluídos de nossa sociedade.

     A verdade é que a Igreja está imersa na sociedade, faz parte dela. E como todos sofrem as consequências positivas e negativas que se apresentam neste modelo de vida em que todos fazem parte. As pessoas são vítimas da desagregação familiar, mas dizem que a desagregação familiar não é um problema, que existem várias formas de ser “família”. Desta desagregação podem surgir pessoas com problemas de afetividade, de caráter, com desequilíbrios psicológicos. A sociedade é vítima dos problemas sócio econômicos, gerando desigualdade social, analfabetismo e criminalidade. Os valores são relativos e pessoais. Cada um pode construir seus critérios e valores de acordo com sua conveniência e necessidade de momento.

     Desta sociedade saem as pessoas que irão fazer parte da Igreja. Sacerdotes e leigos, que na maioria das vezes não somente sofrem as consequências de serem formados nesta mentalidade super secularizada, mas também fazem deste pensamento secularizado doutrina pessoal. Se por um lado a Igreja é acusada de viver em um mundo idealizado, utópico, distante dos seres humanos mortais; por outro lado, será que esta distancia não seria necessária para que pudéssemos fazer uma análise dos fatos sociais de uma forma isenta? Quais seriam as consequências de uma sociedade que teria a “benção da Igreja” para o aborto, “n” uniões conjugais, uniões homoafetivas, eutanásia, em fim “tudo está liberado”? 

     A imagem da vida monástica pode ser uma luz no caminho que devemos seguir. Qual o objetivo dos monastérios? Se retirar do mundo para servir o mundo. Lá, homens e mulheres enclausuradas, vivem uma vida de oração, trabalho e estudo. Não se retiram como covardes ou alienados mas como aqueles que acreditam que a oferta radical de suas vidas pode fazer a diferença no corpo de Cristo. Podemos dizer que a Igreja é o monastério da sociedade. Não devemos nos retirar fisicamente, nem da busca de uma vida fraterna, pois não somos melhores que ninguém. Mas se faz necessário um outro tipo de clausura, a da verdade. A verdade deve ser guardada, protegida e cultivada, nos monastérios do coração do homem para que quando ela não mais existir na sociedade, possa ser ofertada através de nossas próprias vidas.

 

Fernando Soares Emerick

Fundador da Com. Amigos de Jesus

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