Apocalipse: O livro da esperança e da fé

September 14, 2015

      O Livro do Apocalipse de São João, com certeza é o livro canônico mais temido pela cultura cristã popular. Isso se deve, em grande parte, pela grande quantidade de figuras e símbolos presentes em seu texto; que em uma análise superficial se apresentam como elementos catastróficos. Entretanto, a mensagem que o Apocalipse quer transmitir mediante essas imagens, é a total impossibilidade humana de interferir no rumo da história.

     A literatura apocalíptica é um gênero literário, que difere da literatura profética. Enquanto a profecia exorta a uma resposta humana, diante dos problemas enfrentados pela comunidade, a apocalíptica apela à ação divina, diante dessa impossibilidade humana de interferir na história.

     A realidade das 7 comunidades da Ásia menor (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia), a quem o livro é dirigido, apresenta uma situação sócio-política cultural, de opressão religiosa por parte do Império Romano (a Babilônia que cairá). O início do capítulo 17 (Ap 17, 1-2) deixa claro que os habitantes da terra (de uma forma especial quer atingir os cristãos dessas 7 comunidades) se deixaram persuadir ou se acomodaram diante das estruturas envolventes da grande meretriz (Império Romano): “Veio, então, um dos sete Anjos que tinham as sete taças e falou comigo: Vem, e eu te mostrarei a condenação da grande meretriz, que se assenta à beira das muitas águas, 2com a qual se contaminaram os reis da terra. Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho da sua luxúria”.

     Nesse sentido, o Apocalipse pode se apresentar como o livro de esperança e de fé. Pois, apesar de denunciar o poder opressor e a prostituição do povo, prega o grande dia em que a Babilônia irá cair (Ap 18 1-3): 1Depois disso, vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder, e a terra foi iluminada por sua glória. 2Clamou em alta voz, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, a Grande. Tornou-se morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis, 3porque todas as nações beberam do vinho da ira de sua luxúria, pecaram com ela os reis da terra e os mercadores da terra se enriqueceram com o excesso do seu luxo.

     Apesar de toda profecia ser feita para a realidade em que ela foi proferida, ela também ultrapassa os tempos e alcança realidades inimagináveis. Por isso, somos interpelados por essa hermenêutica (estudo da interpretação dos textos sagrados) a transferir as figuras da Babilônia e das 7 comunidades para o mundo hodierno. Nesse exercício, façamos então as seguintes perguntas: Quem é, ou quem são as “Babilônias de hoje”? Quais são as opressões sofridas por nossas comunidades em nosso tempo? De que forma o povo de Deus pode estar se prostituindo hoje?

     Podemos, e creio que devemos, responder essas perguntas em âmbito social e pessoal. Podemos identificar facilmente as “Babilônias” de hoje: O império capitalista americano, as ditaduras comunistas e islâmicas. Numa esfera menor, nossos políticos brasileiros. Contudo, dentro de cada um de nós, pode existir uma “Babilônia” que insistentemente nos oprime, atentando dia e noite contra nós mesmos e contra aqueles que convivem conosco. Talvez essa “Babilônia” seja mais poderosa e mais difícil de cair. Talvez esta “Babilônia” seja a célula mãe da “Grande Babilônia” social que tanto escraviza o mundo.

     Sem poder fugir da esperança apocalíptica, a nós fica a esperança de se repetir a história: A Babilônia caiu, o Império Romano caiu, e toda opressão cairá porque Cristo Ressuscitou e vive entre nós: 1Depois disso, ouvi no céu como que um imenso coro que cantava: Aleluia! A nosso Deus a salvação, a glória e o poder, 2porque os seus juízos são verdadeiros e justos. Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos. 3Depois recomeçaram: Aleluia! Sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos. 4Então os vinte e quatro anciãos e os quatro animais prostraram-se e adoraram a Deus que se assenta no trono, dizendo: Amém! Aleluia!  (Ap 19, 1-4)

 

Fernando Soares Emerick

Fundador da Com. Amigos de Jesus

Please reload

                  ARTIGOS                 

Matrimônio, Fruto da História da Salvação (Parte III)

May 6, 2019

1/4
Please reload

Please reload