Família, torna-te aquilo que és! (Parte III)

September 14, 2015

ORAÇÃO COMO CAMINHO DE IDENTIFICAÇÃO

 

      Para que a família possa se tornar aquilo que é chamada a ser, é preciso em primeiro lugar que seus membros constitutivos, principalmente os pais, façam uma experiência pessoal com Jesus Cristo. É preciso se encontrar com o sagrado, para iniciar um processo de interiorização pessoal, de solidez espiritual e de crescimento na aproximação da sua identidade. A família possui uma identidade de doação total, como explicitado anteriormente, porém, só será possível tal vivência se ela aprender pessoalmente do mestre Jesus, através da oração, esta lição:

     “Significativo é que, precisamente na oração e pela oração, o homem descubra, de modo tão simples e ao mesmo tempo profundo, a sua típica subjetividade: na oração, o «eu» humano percebe mais facilmente a profundidade do seu ser pessoa. Isto vale também para a família, que não é apenas a «célula» fundamental da sociedade, mas, possui mesmo uma própria e peculiar subjetividade. Esta obtém a sua primeira e fundamental confirmação, e consolida-se, quando os membros da família se encontram na invocação comum: «Pai nosso». A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da «fortaleza» de Deus”. (Carta às Famílias, artigo 4, parágrafo 3).

     Os pais são chamados a se identificar com Cristo, e essa busca irá gerar uma realização ontológica. Contudo, os filhos buscam se aproximar e a se identificar com os seus pais. As figuras paterna e materna são a expressão do amor de Deus na vida das crianças. Por isso, a vida de oração dos pais torna-se modelo para os filhos e se apresenta como exemplo a ser repetido de forma natural e por vezes prazerosa. Cria-se assim, nos filhos, um novo caminho de conhecimento e experiência de Deus:

     “Precedidos assim pelo exemplo e oração familiar dos pais, tanto os filhos como todos os que vivem no círculo familiar encontrarão mais fàcilmente o caminho da existência humana, da salvação e da santidade. Quanto aos esposos, revestidos com a dignidade e o encargo da paternidade e maternidade, cumprirão diligentemente o seu dever de educação, sobretudo religiosa, que a eles cabe em primeiro lugar.” (Gaudium et Spes, artigo 48, parágrafo 3).

     Nesse processo de conhecimento de Deus e de si, os esposos, e os esposos com os filhos, são convidados a andarem juntos também na oração. O celibatário vive o amor esponsal com Jesus cristo, em uma vida “solitária”, mas, fecunda. Já os casais devem direcionar suas orações de maneira a expressar aquilo que realmente são: esposos. Se esta vocação se apresenta como um só corpo e uma só alma, como descrito na fundamentação teológica, seria uma grande incoerência percorrer sozinho esse caminho:

     “A oração familiar tem as suas características. É uma oração feita em comum, marido e mulher, juntos, pais e filhos, juntos. A comunhão na oração é, ao mesmo tempo, fruto e exigência daquela comunhão que é dada pelos sacramentos do batismo e do matrimônio.” (Familiaris Consortio, artigo 59, parágrafo 2). 

 

Fernando Emerick

Fundador da Comunidade Amigos de Jesus

 

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