Família, torna-te aquilo que és! (Parte IV)

September 14, 2015

FILHOS, ABERTURA À VIDA

 

             Se a vocação dos esposos é a doação total de si, sua missão é a de gerar e educar filhos para a Igreja e para uma sociedade justa e equilibrada. Para tal, se faz necessário reafirmar a importância da oração dentro do processo de abertura à vida e do entendimento do grande mistério que compreende o ser humano. Sem esse entendimento, que não é apenas intelectual, o casal encontra muitas barreiras para se lançar como missionários no campo da vida:

           Segundo o desígnio de Deus, o matrimônio é o fundamento da mais ampla comunidade da família, pois, que o próprio instituto do matrimônio e o amor conjugal se ordenam à procriação e educação da prole, na qual encontram a sua coroação. Na sua realidade mais profunda, o amor é, essencialmente, dom e o amor conjugal, enquanto conduz os esposos ao “conhecimento” recíproco que os torna “uma só carne”, não se esgota no interior do próprio casal, já que os habilita para a máxima doação possível, pela qual se tornam cooperadores com Deus no dom da vida a uma nova pessoa humana. Desse modo, os cônjuges, enquanto se doam entre si, doam para além de si mesmo a realidade do filho, reflexo vivo do seu amor, sinal permanente da unidade conjugal e síntese viva e indissociável do ser pai e mãe. (Familiaris Consortio, artigo 14, parágrafo 1).

            A transmissão da vida não está ligada somente à mística e ao sagrado. Também tem sua origem nas leis naturais. Hoje, fala-se tanto em ecologia, preservação da natureza, viver em equilíbrio com os ecossistemas e outras bandeiras que, também, são justas e necessárias. Porém, há uma negligência quanto à lei natural da vida:

           [...] A lei natural, que está na base do reconhecimento da verdadeira igualdade entre as pessoas e os povos, merece ser reconhecida como a fonte, onde inspirar, também, a relação entre os esposos na sua responsabilidade de gerar novos filhos. A transmissão da vida está inscrita na natureza e as suas leis permanecem como norma não escrita, a que todos se devem referir». (Dignitas Personae, artigo 6, parágrafo 2).

           Na contramão das leis naturais e do mistério sagrado da vida, o mundo moderno rotula as famílias numerosas como famílias sem instrução ou irresponsáveis. Tal pensamento tem entrado até nas famílias católicas em muitos países. O resultado dessa filosofia é o envelhecimento da Europa, por exemplo.

           Da mesma forma que as leis naturais devem ser obedecidas para o bem da humanidade; as leis de Deus, também, devem receber uma especial acolhida no coração do homem, em uma atitude não somente de obediência, mas, de confiança na providência divina, fruto desse caminho de encontro e de identificação:

           Entre os benefícios do matrimônio, ocupa, portanto, o primeiro lugar, a prole. Em verdade, o próprio Criador do gênero humano, o qual, em sua bondade, quis servir-se do ministério dos homens para a propagação da vida, nos deu este ensino quando, no paraíso terrestre, instituindo o matrimônio, disse aos nossos primeiros pais e, neles, a todos os futuros esposos: “crescei a multiplicai-vos e enchei a terra”. (Gen. 1, 28). Esta mesma verdade a deduz brilhantemente Santo Agostinho das palavras do Apóstolo S. Paulo a Timóteo (1 Tim 5, 14), dizendo: “que a procriação dos filhos seja a razão do matrimônio. O Apóstolo o testemunha nestes termos: eu quero que as jovens se casem. E, como se lhe dissessem: mas por quê?, logo acrescenta: para procriarem filhos, para serem mães de família”. (S. Agost. De bono conj. cap. XXIV, n. 32). (Casti Connubii, artigo 12, parágrafo único).

           Aqui cabe uma especial atenção e carinho para com as mulheres, esposas e mães. Até porque, são elas que sofrem as dores do parto. Por muito tempo, e até hoje, as mulheres foram tratadas como um objeto ou até mesmo como uma classe inferior. Tal atitude sempre feriu a sua dignidade e gerou uma grande revolta na sociedade feminista. Contudo, o remédio para curar estas feridas não surtiu efeito. A revolução feminina não só desfigurou a identidade feminina, mas, também acarretou graves consequências na geração e criação dos filhos.

           Diante desse quadro, é preciso aprofundar no conhecimento da “teologia da mulher” e dar o devido valor, também pastoralmente, para a maternidade. A maternidade por si só já constitui um grande serviço à humanidade e deve ser exaltada como aquilo que há de mais digno a ser vivido.

           Apesar de reconhecer o direito e a capacidade da mulher com relação ao mercado de trabalho, a Igreja incentiva a vida doméstica. E neste incentivo da vida doméstica, para a formação de um lar aconchegante e estável, está a valorização deste modo de viver. A inversão desses valores constitui um grande mal social, gerando famílias com grandes déficits afetivos e emocionais:

           Se há que reconhecer às mulheres, como aos homens, o direito de ascender às diversas tarefas públicas, a sociedade deve estruturar-se, contudo, de maneira tal que as esposas e as mães não sejam de fato constrangidas a trabalhar fora de casa e que a família possa dignamente viver e prosperar, mesmo quando elas se dedicam totalmente ao lar próprio. Deve, além disso, superar-se a mentalidade segundo a qual a honra da mulher deriva mais do trabalho externo do que da atividade familiar. Mas, isso exige que se estime e se ame verdadeiramente a mulher com todo o respeito pela sua dignidade pessoal, e que a sociedade crie e desenvolva as devidas condições para o trabalho doméstico. (Familiaris Consortio, artigo 23, parágrafos 4 e 5).

 

Fernando Emerick

Fundador da Comunidade Amigos de Jesus

 

>> VER PARTE V

 

Please reload

                  ARTIGOS                 

Matrimônio, Fruto da História da Salvação (Parte III)

May 6, 2019

1/4
Please reload

Please reload