Família, torna-te aquilo que és! (Parte V)

September 14, 2015

PATERNIDADE RESPONSÁVEL

 

 

     Diante da apologia da abertura à vida, muitos podem se perguntar: A vida sexual dentro do matrimônio é permitida se estiver direcionada somente para a procriação? A resposta é não. A Igreja incentiva e reconhece a importância do aspecto unitivo do ato conjugal. O bem estar sexual dos esposos é parte importante da vida familiar e não deve ser negligenciado. Porém, o aspecto unitivo não deve existir de forma desvinculada da procriação:

     Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade. Nós pensamos que os homens do nosso tempo estão particularmente em condições de apreender o caráter profundamente razoável e humano deste princípio fundamental. (Humanae Vitae, artigo 12, parágrafo 2).

     Nesse sentido, não é lícito aos esposos a busca do prazer, sem esse estar relacionado a uma doação de si por inteiro. Uma doação só é verdadeira, e portanto lícita, se é total. Quando se participa do ato conjugal com restrições, ao menos à possibilidade de gerar uma vida, interrompe-se uma etapa do processo natural que é constitutivo, de forma intrínseca, do humano e do místico que pertence à identidade do sacramento do matrimônio.  

     Em conformidade com esses pontos essenciais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos, uma vez mais, declarar que é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo generativo já iniciado, e, sobretudo, o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas.

     É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher.

     É, ainda, de excluir toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação. (Humanae Vitae, artigo 14, parágrafos 1-3).

     De forma clara, pode-se dizer que estão excluídos do planejamento familiar dos lares católicos: os preservativos, a pílula anticoncepcional, o DIU, as ligaduras, a vasectomia ou qualquer outro dispositivo que tenha os mesmos mecanismos artificiais.

Estariam, então, os cônjuges “condenados” a terem filhos a qualquer custo, sem se levar em conta as condições humanas que por vezes pode se apresentar como elementos desfavoráveis de real significância? Novamente a resposta da Igreja é não. A Igreja afirma que por motivos sérios o casal pode recorrer aos períodos infecundos do ciclo da mulher para espaçar a geração de filhos:

     Se, portanto, existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade, sem ofender os princípios morais que acabamos de recordar. (Humanae Vitae, artigo 16, parágrafo 2).

     Pode-se seguramente afirmar, por exemplo, que a preocupação com a estética do corpo, a perda da “liberdade” e a interrupção da carreira profissional não se configuram como “motivos sérios” para promover o espaçamento dos filhos. Por outro lado, um problema grave de saúde serve de exemplo lícito para os esposos distanciarem os nascimentos de sua prole.

     E para que esse espaçamento na geração de filhos fosse feito com segurança e harmonia; quis a Providência Divina dar um lindo presente para a humanidade: O Método de Ovulação Billings (MOB). No mesmo período em que o Papa Paulo VI estava para lançar a Humanae Vitae no final da década de 60, na Austrália, um casal de médicos, doutor e doutora Billings, estavam desenvolvendo um método de planejamento familiar natural.

     O método consiste basicamente em recorrer aos períodos inférteis do ciclo menstrual para aqueles que querem espaçar os filhos; e aos períodos férteis para aqueles que querem gerar uma nova vida. O treinamento consiste em reconhecer esses períodos férteis e inférteis de cada ciclo da mulher. Com grande eficácia comprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o método tem sido aplicado em todo o mundo e tido sucesso até em regiões muito pobres do planeta.

 

Fernando Soares Emerick

Fundador da Comunidade Amigos de Jesus

 

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