Teresa de Jesus, uma filha da Igreja

September 14, 2015

 

 

   Há 500 anos, a Igreja vivia uma época marcante, onde os conselhos evangélicos, com o Concílio de Trento, trouxeram uma renovação da Igreja e um florescimento da vida religiosa. Por outro lado, foi um tempo em que surgiu o protestantismo, e dentro da Igreja, a Santa Inquisição. Esse era, também, um tempo em que as mulheres não recebiam formação e que, dentro da Igreja, os fiéis buscavam as raízes do cristianismo para perseverarem na fé católica. Em meio a toda essa tempestade, nasce uma filha da Igreja Católica, Santa Teresa de Jesus.

     Santa Teresa foi uma mulher muito a frente do seu tempo, com uma visão de águia, uma determinação incansável e um amor a Deus cada vez mais abrasador. Quando olhamos para o tempo em que ela viveu, e lemos seus escritos, vemos como sua humanidade era madura e sua espiritualidade, uma verdadeira dádiva de Deus. Falando desse modo, parece que se tratava de coisas tão elevadas que imaginamos uma Teresa, sem defeitos, “santa por completo”, mas, basta ver seus escritos, para percebermos que a santidade de Teresa está na sua luta espiritual para ser de Deus e em sua vivência íntima com Jesus, passando por sofrimentos, decisões e muito amor a Ele.

     Teresa se tornou monja da Ordem do Carmo, aos 20 anos, em um mosteiro que já não vivia a Regra como deveria. Monjas com grande sabedoria, que haviam vivido naquele mosteiro com a radicalidade que a ordem pedia, morreram com a Peste Negra e outras crises e doenças que a Europa vinha sofrendo. O mosteiro já não era mais o mesmo. A Ordem do Carmo já não era a mesma. Teresa viveu vinte anos de sua vida neste mosteiro, e apesar de ser uma religiosa, uma monja carmelita, sua fé era “morna”.

     Aos 39 anos, Teresa tem seu encontro pessoal com Deus, de tal modo, que nasceu em seu coração um novo ardor e uma radicalidade evangélica inquietante. Assim, ela empreendeu uma reforma na Ordem Carmelitana, fundando mosteiros que seguissem às regras e radicalidade primitivas, enfrentando muitos desafios para que isso acontecesse.

     O que tudo isso, quinhentos anos depois, influencia em nossas vidas? Teresa, com sua doutrina, ainda vive em nosso meio. Ao ler seus livros, vemos sua humanidade, e nos sentimos incomodados com tamanha intimidade com Deus. Ela não procurou coisas grandiosas ou uma radicalidade que foge da capacidade humana, mas, buscou Deus na simplicidade do dia a dia: nos trabalhos da cozinha, nas escadas do mosteiro, no relacionamento com as irmãs, enfim, em todo o seu cotidiano. Teresa buscou o equilíbrio entre Marta e Maria, e se tornou, assim como elas, uma nova amiga de Jesus, uma nova integrante da casa de Betânia. Buscou amar a Deus, nas panelas e na capela, sozinha no quarto ou conversando com as irmãs, no Monte Tabor, mas, também no Monte Calvário.

     O Carmelo Teresiano carrega em si a gratidão por Teresa e vive o V Centenário de seu nascimento, com este olhar mais profundo em sua doutrina. No próximo dia 15 de Outubro, a Igreja celebra o dia de canonização da Santa. Esse dia já é celebrado com o coração em 28 de março de 2015, quando se completará 500 anos do nascimento da Santa. Ela nasceu no dia 28 de março de 1515, na Espanha. Há, aproximadamente, um ano, a família Carmelitana do mundo inteiro iniciou as festividades para celebração dessa tão importante data. Quando celebramos os seus 500 anos, nos preparamos para um novo tempo, onde olhando para Teresa, vemos no horizonte uma nova chance de sermos verdadeiros Homens de Fé, Amigos de Jesus e autênticos Filhos da Igreja.

 

Leandro Perpétuo

Com. Amigos de Jesus

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