Família, torna-te aquilo que és! (Parte VI)

INDISSOLUBILIDADE E FIDELIDADE


Outro ponto relevante na configuração da família católica é a fidelidade no matrimônio. Sem desconsiderar a dificuldade desta vivência, a fidelidade se apresenta como sinal do nosso amor a um único Deus, no campo teológico; mas, também, é fonte de segurança e felicidade no dia a dia da vida conjugal:

O amor conjugal É, ainda, amor fiel e exclusivo, até à morte. Assim o concebem, efetivamente, o esposo e a esposa no dia em que assumem, livremente e com plena consciência, o compromisso do vínculo matrimonial. Fidelidade que por vezes pode ser difícil; mas, que é sempre nobre e meritória, ninguém o pode negar. O exemplo de tantos esposos, através dos séculos, demonstra não só que ela é consentânea com a natureza do matrimônio, mas, que é dela, como de fonte, que flui uma felicidade íntima e duradoura. (Humanae Vitae, artigo 9, parágrafo 4).

Sabe-se que a imaturidade humana e psicológica dos esposos, tão comum em nossos tempos, constitui um grande entrave para suas vidas. Contudo, não só a fidelidade, mas, também a indissolubilidade do matrimônio constituem colunas robustas desta casa. Mantendo-se fiel ao evangelho, a Igreja orienta os esposos a permanecerem firmes ao propósito inicial. A carta de divórcio dada por Moises é tida por Jesus como uma concessão arbitrária que não deveria ser feita:

E, antes de mais nada, no que respeita à indissolubilidade do contrato nupcial, o próprio Cristo nele insiste, dizendo: “Não separe o homem aquilo que Deus uniu” (Mt 19, 6); e: “Todo aquele que abandona a sua mulher e toma outra comete adultério; e todo aquele que toma a mulher abandonada pelo marido comete adultério” (Lc 16, 18). (Casti Connubii, artigo 32, parágrafo único).

Já Santo Agostinho coloca a indissolubilidade como critério de definição do sacramento do matrimônio:

Nesta indissolubilidade coloca Santo Agostinho, em termos claros, aquilo a que ele chama o bem do sacramento, com estas claras palavras: “Por sacramento, pois, se entende que o matrimônio seja indissolúvel e que o repudiado ou a repudiada não se una a outrem, nem sequer por causa dos filhos”. (S. Agost., De Gen. ad litt., liv. IX, c. 7, n. 12). (Casti Connubii, artigo 33, parágrafo único).

Nesta mesma linha, a poligamia fere profundamente a dignidade da pessoa. É impressionante como alguns meios de comunicação colocam a poligamia como algo natural; como que para viver como poligâmico basta apenas o consentimento das partes. Mesmo em países islâmicos, onde os homens têm a permissão do estado e da religião para possuir mais de uma mulher (somente os homens), fica caracterizada a falta de dignidade das mulheres que lutam por direitos básicos e sofrem inúmeros tipos de maus tratos:

A poligamia contradiz radicalmente uma tal comunhão. Nega de fato, diretamente o plano de Deus como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo. Como escreve o Concílio Vaticano II: “A unidade do matrimônio, confirmado pelo Senhor, manifesta-se também claramente na igual dignidade pessoal da mulher e do homem que se deve reconhecer no mútuo e pleno amor”. (Familiaris Consortio, artigo 19, parágrafo 4).

Cabe registrar que se por algum motivo houver uma separação definitiva dos cônjuges, os mesmos podem pleitear junto a um tribunal eclesiástico a abertura de um processo de nulidade matrimonial. Porém, a Igreja não anula casamentos, pois, esses são indissolúveis. O processo irá averiguar se o casamento foi nulo, ou não, na sua origem. A Igreja tem buscado facilitar o acesso das famílias a estes tribunais.

Fernando Soares Emerick

Fundador da Comunidade Amigos de Jesus

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