O Mistério da Trindade Santa



A Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade, no domingo seguinte ao dia de Pentecostes. Neste ano de 2015, tal celebração será realizada no dia 31 de Maio. Preparemo-nos, portanto, desde já para celebrarmos a plenitude do amor que se encerra na Trindade Santa.

A invocação da Santíssima Trindade está presente desde o início do cristianismo. Vemos nos evangelhos, especialmente no evangelho de São João, Jesus e sua relação unitiva com o Pai, e a comunhão com seu Espírito Santo. A Trindade está presente nos Atos dos Apóstolos, nas cartas de Paulo e em toda a história da Igreja.

Como podemos entender um Deus uno em três pessoas? Para explicarmos sobre o assunto, voltemos os nossos olhares a raiz de nossa fé, o Credo. Nesta Profissão de fé, denominada Credo Niceno-Constantinopolitano, tem uma evocação que diz “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos”. Quando a Igreja reza sua profissão de fé, professamos um Deus soberano e único, pois, o chamamos nosso ÚNICO SENHOR.

Na narração da criação do mundo no livro de Gênesis, o escritor sagrado fala de Deus na primeira pessoa do plural (nós): “Deus disse: Façamos o ser humano a nossa imagem e segundo nossa semelhança” (Gn 1, 26a); por isso, que dizemos que Jesus é nascido do Pai, antes de todos os séculos, ou seja, no princípio Jesus já existia junto de Deus Pai. Deus sempre foi uno em três pessoas, o maior sinal de união. É como um amor em família, do mesmo modo que uma mãe ama seu primeiro filho, ela também ama o segundo e o terceiro, é um só amor, o amor de mãe.

Santo Agostinho, grande filósofo e teólogo, doutor da Igreja, viveu nesse mesmo período em que ocorreu o Concílio de Niceia e de Constantinopla, e em Agostinho encontramos uma vasta teologia sobre a Trindade, mas, só um ponto nos importa agora, que também foi um ponto, realmente, relevante para Agostinho. Esse doutor da Igreja queria a todo custo explicar, filosoficamente, o mistério da Trindade.

Certa vez, quando andava viu um garoto tentando colocar toda a água do mar em um buraco na areia. Agostinho disse ao garoto que isto era impossível. Ao dizer tal coisa entendeu que ele era este garoto e que ao tentar explicar a Trindade fazia o mesmo que o menino fazia, aliás, seria mais fácil o garoto conseguir o que queria, do que Agostinho entender o mistério trinitário. Poderemos compreender a Trindade, em toda sua plenitude, somente no céu quando estivermos unidos ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Penso que ao professar nossa fé neste Deus uno e trino, estamos abraçando o Amor e a própria Divindade de Deus. Sendo Deus todo poderoso se dá a cada um de nós, por amor. Por isto, referimos à Trindade Santa como o próprio Amor, pois, o amor não se divide, mas, une cada vez mais. Unamo-nos a este Deus que é uno, que é O amor, e que por amor se faz três pessoas, para nos ensinar a amar.

Do mesmo modo como iniciamos a Santa Missa, e como São Paulo termina sua segunda carta aos coríntios, concluo este artigo: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” (2Cor 13, 13)

Leandro Marinho

Comunidade Amigos de Jesus

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