O amor não se divorcia

September 29, 2015

“ O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher; e serão os dois uma só carne”

 (Ef 5,31; Gn 2,42)

 

 

        Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, Deus quis também estabelecer sobre eles um vínculo tão forte, que nada e ninguém seriam capazes de romper: o sacramento do Matrimônio. Por isso, ele vai voltar a dizer na pessoa de Jesus: “o que Deus uniu o homem não separe” (Mt 19,6b).

       Essas palavras são repletas de sentido e não significam apenas uma ordem qualquer ou esvaziada de significado. O que o Senhor vem dizer para nós é que, a família, no caso o homem e a mulher, não podem ver o casamento como algo casual, momentâneo e meramente humano. O sacramento do Matrimônio é uma instituição divina, é a forma mais humana encontrada por Deus para expressar aquilo que a Trindade vive. Ela é um vínculo de amor tão profundo capaz de fazer com que três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) sejam ao mesmo tempo um só Deus.

       “... Já não serão dois, mas, uma só carne” (Mt 19,6a). Sendo assim, não faz sentido algum o divórcio, como separa aqueles que se tornaram uma só carne? E uma vez separados, como unir-se a outro?

       Algum tempo atrás, eu estava dando um Curso do Método de Ovulação Billings. Em um determinado momento, mostrava para os ouvintes o percurso feito pelo óvulo e espermatozóide até a fecundação. Explicava para eles que, a fecundação (o encontro) do óvulo com o espermatozóide, se dá na terceira parte da tuba uterina. De repente, os meus olhos se abriram e eu me recordei do encontro do noivo com a noiva dentro da Igreja, percebi que eles se encontram na terceira parte da Igreja e que este gesto é repleto de significado. Ambos os encontros marcam o início de uma nova vida. Após a fecundação ocorre uma explosão de amor, surge neste encontro um novo ser, Deus cria uma nova criatura, mesmo que este “novo ser” não chegue por algum motivo a nascer. Ele existe e não importa por quanto tempo sobreviverá ele é a expressão máxima do amor de Deus aqui na terra.

       Da mesma forma, acontece ao partir do encontro dos noivos e do que acontecerá em seguida, o consentimento um ao outro, a benção nupcial, o encontro dos cônjuges pelo ato sexual, o amor de Deus se personifica e une divinamente para sempre este casal. Não importa o que acontecerá depois, não há como voltar atrás, o amor não se divorcia.

       São Paulo vai nos ensinar na Carta ao Efésios 5, 24-25: “Como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”. Acredito que ninguém seja capaz de obedecer a estes ensinamentos se não houver no coração uma disposição de fazer um pelo outro aquilo que Cristo fez à Igreja: dar a vida.

       É claro que esta não é uma proposta fácil, mas é o caminho seguro de um casal que deseja trilhar os passos do mestre Jesus. Não é possível sustentar um casamento onde cada um dos cônjuges se preocupa com a própria felicidade. É necessário perder para que o outro ganhe, morrer para que o outro viva. E neste anseio de querer o bem do outro, vamos encontrando o sentido da própria existência e o motivo real que nos levou um dia a firmar com o outro um pacto de amor eterno.

Deixemos que a Sagrada Família seja a mediadora entre nós e Deus e que ela nos ensine a cada dia a termos os olhos fixos em Jesus.

 

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

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