Sagrada Família: Modelo de Família, por excelência

January 4, 2016

 

       Quando era criança sempre pensei em ser freira, visto que, a piedade das irmãs e o jeito próprio de ser delas, sempre me encantaram. Nasci numa família católica, alegre e muito feliz, graças a Deus. Meus pais sempre foram pessoas muito caridosas. Minha mãe, além de conselheira, sempre foi muito acolhedora. Meu pai, embora muito bravo, sério e de poucas palavras, era um homem muito prestativo e de bom coração. Foram generosos, também, com Deus, pois, acolheram com alegria os 13 filhos que o Senhor lhes concedeu. Sempre tive bom relacionamento com meus irmãos, amo a todos.
       Engraçado é que, assim como minha mãe, sempre pensei em ter muitos filhos, mas, em contrapartida não pensava em casar. Mas como? Criar filhos sem pai, também nunca havia passado pela minha cabeça. Sonhava em fazer faculdade, trabalhar, comprar uma casa, um carro, conhecer a América do Norte, viajar muito e ser feliz. Decidi, então, correr atrás de meus sonhos me mudando para Ipatinga.
       Logo que cheguei, conheci o homem que mudaria toda minha história, meu futuro marido. Casamos após 7 anos de namoro, numa época em que eu estava terminando a faculdade. Havia arranjado um novo emprego e com a atenção totalmente voltada para minha realização profissional. Vieram os filhos, foram 4, mas, Deus quis que apenas 2 ficassem comigo. Havia conseguido levar a cabo meus planos, sentia-me uma mulher realizada, forte, inteligente e batalhadora, estava orgulhosa de mim mesma, porém, não plenamente feliz. Apesar de todas essas conquistas, ainda me faltava algo, pois, existia um vazio dentro de mim que nada havia preenchido.

       Comecei a participar da Comunidade Amigos de Jesus e a compreender que ser família era o desejo de Deus para mim e que esta era a minha missão, e somente em Deus eu iria encontrar sentido para minha vida, para minha família. Iniciava para mim um tempo novo, tempo de muitas descobertas e muitos desafios. Enxergava, claramente, como estava distante dos planos de Deus, mas, brotava um ardente desejo de querer realizar em mim a vontade Dele.
       Nascia em mim um grande amor pela Sagrada Família de Nazaré, ela que é modelo por excelência para todas as famílias, pois, realizou de forma exemplar o projeto de Deus. Para seguir o exemplo dessa família, seria necessário que eu conhecesse as características principais da Sagrada Família, que consistia em ter os papéis de pai e mãe bem definidos; filho como centro e esposos entrelaçados por um laço de um profundo e íntimo amor.
       Esta foi minha maior tristeza: descobri que as virtudes da Sagrada Família, eram os meus maiores defeitos, mas, não me dava por vencida. Dobrava meus joelhos no chão e dizia: até aqui me ajudou o Senhor (1Samuel 7,12). Eu não podia desanimar e tinha plena convicção de que Deus havia de cuidar de tudo, como Ele sempre o fez. Em contrapartida, me sentia feliz por ter tido a graça de perceber onde estavam os erros. Cabia a mim me revestir de toda armadura de Deus para vencer essa batalha ferrenha que eu teria que travar. Compreendi o porquê Deus tinha me chamado para ser Comunidade. Na verdade, Ele estava me preparando para tudo aquilo que Ele queria realizar em mim e a Comunidade seria a mão de Deus sobre mim, meu ponto de ajuda, meu auxílio, dado por Ele.
       Cada dia que passava me sentia mais filha de Deus, mais amada, cuidada por Deus, pois, percebia que embora eu não mereça nada, em toda a minha história via a mão de Deus, o cuidado Dele, que em nenhum momento desistiu de mim, me amou e me esperou. Como não querer agora, amá-Lo de todo coração, de toda minha alma, com todo meu amor, com todo meu entendimento? Esse era, então, meu grande desafio, pois, havia compreendido que Deus, na sua bondade infinita, havia me confiado um esposo e dois filhos através dos quais eu deveria retribuir meu amor a Ele. Vede, então, o grande mistério de Deus, pois então, caberia a mim o esforço contínuo para realizar a vontade de Deus, que consistia amar incondicionalmente meu marido e meus filhos, sem impor condições ou limites para amar, sem esperar nada em troca, amar em primeiro lugar, pois, Deus havia me amado primeiro. Era isso que Ele me mandava fazer: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (João 15,12). Era essa a vontade de Deus para mim enquanto família: amar meu marido, amar meus filhos; é para isso que fui chamada, para dar a vida por aqueles que Ele me confiou. 
       Rogo a Deus que todas as famílias possam ser inspiradas a voltar o olhar para a Sagrada Família de Nazaré e desejar, ardentemente, submeter ao seu exemplo, até o ponto de ser uma família segundo o coração de Deus!


Sagrada Família de Nazaré, rogai por nós!

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