Os diferentes tipos de amizade

March 17, 2016

 

 

       Aristóteles em sua obra Ética a Eudêmia, dedica o livro VII à amizade e a apresenta sob três formas. Aristóteles define amizade como amizade virtuosa, amizade útil e amizade agradável. Também na Ética a Nicômaco ele aborda a amizade virtuosa utilizando o termo amizade completa. Na teoria aristotélica a amizade não pode ser unilateral, pressupõe o conhecimento mútuo e o reconhecimento de um pelo outro como amigo. Igualmente, a necessidade de uma vida comum e uma comunidade de vida. Uma comunidade de vida por excelência, seria pautada por uma vida comum de intimidade e comunhão de espíritos, promovendo a amizade virtuosa e não uma comunidade de negócios ou até mesmo uma comunidade política.

       Contudo, a amizade útil e a amizade agradável podem se apresentar como um embrião da amizade virtuosa. As relações cotidianas como o trabalho, estudo, relações de interesse de cunho material, lazer, a vida na cidade de uma forma geral, constituem esses dois outros tipos de amizade. Porém, esse tipo de relação pode evoluir para um nível mais elevado, para o nível da vida íntima e para a comunhão de espíritos. Essas relações, de forma acidental, podem gerar uma amizade virtuosa.

       Aristóteles não vê as duas outras formas de amizade de forma pejorativa. Elas são distintas e possuem valores diferentes, porém, a amizade virtuosa não se desenvolve sem as outras duas. O que difere de forma primordial a amizade virtuosa das outras é a finalidade. A amizade útil e a agradável não se interessa pelo outro, a não ser por acidente; a finalidade são os benefícios que são tirados da relação, enquanto que a amizade virtuosa tem no outro a sua finalidade. Se Platão vê uma ruptura entre o amor humano e o amor do Bem, Aristóteles, ao contrário, vê uma continuidade entre as amizades útil e agradável evoluindo até a amizade virtuosa.

       A amizade completa ou virtuosa não é um meio, como para Platão, mas possui um fim em si mesmo, uma vez que é a encarnação do Bem no virtuoso. É neste relacionamento virtuoso que o homem bom conhece a felicidade, amando o outro por si mesmo, e não como uma etapa para alcançar o Bem em si. A virtude leva a amizade à sua perfeição, uma perfeição humana, portanto, limitada em contraste com a perfeição de Deus. Uma perfeição que floresce na relação virtuosa com o outro reconhecido como outro e não como útil ou prazeroso.

 

Fernando Soares Emerick

Fundador da Comunidade Amigos de Jesus

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