O TRÍDUO PASCAL

March 22, 2016

 

        A Solenidade do Tríduo Pascal é a grande realidade da celebração litúrgica da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É, sem dúvida, a celebração mais importante do ano e tem como seu ápice a celebração da Vigília Pascal, no Sábado Santo.

       O Tríduo Pascal é celebrado, solenemente, em três grandes dias especiais: a Sexta-feira Santa, o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa. É necessário entender algo importante: o tríduo, em si, começa na Quinta-feira à noite (liturgicamente já são as I Vésperas da Sexta), e segue até o sábado à noite na Vigília do Domingo (que, liturgicamente, já são as I Vésperas do Domingo). Diremos, assim, que as três grandes celebrações do Tríduo são: a Missa do Lava-pés, a Celebração da morte do Senhor e a Solene Vigília Pascal. 

       A compreensão desta Solenidade da Igreja faz toda diferença na participação dos fiéis na liturgia do Tríduo Pascal, uma vez que, não faz sentido que se participe de um dia ou outro e se alivie a consciência por já ter marcado presença na celebração de algum dia da Semana Santa. É necessário adentrar no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor, fazendo com Ele a mais profunda experiência de entrega e obediência aos desígnios do Pai.

 

A MISSA DO LAVA-PÉS E DA SANTA CEIA  

 

       A celebração da Quinta-feira Santa marca o início do Tríduo Pascal, quando Jesus celebra a última ceia com os seus discípulos instituindo a Eucaristia. "Enquanto ceava com seus discípulos, tomou o pão…" (Mt 26, 26), antes disso lava os pés dos seus discípulos ensinando para os eles o ministério do serviço, humildade e doação ao próximo, características claramente necessárias ao ministério do sacerdócio.

       Tornamo – nos assim, expectadores do momento mais dramático da vida de Jesus, que é a sua última ceia. Sabendo que teria pouco tempo para estar com os seus, Jesus escolheu a eucaristia como a forma mais sublime de perpetuar a sua presença entre nós.   Por isso, "quando comemos deste pão e bebemos deste cálice, proclamamos a morte do Senhor até que Ele volte" (1Cor 11, 26). O Senhor realiza conosco uma amizade eterna através da entrega do seu corpo e sangue como alimento e permanece em nosso meio vivo para sempre na Eucaristia.

       Sendo assim, nesta ceia foi instituída a Eucaristia, o novo Sacerdócio de Cristo e o Novo Mandamento: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15, 12). Ele nos ensina que o amor vai até as últimas consequências, a ponto de dar a vida por aquele que se ama, “não há maior amor do que aquele que dá a vida pelo amigo” (Jo 15,13).

 

A SEXTA-FEIRA SANTA, “PAIXÃO DO SENHOR”.

 

       Nesse dia, ao contrário do que muitos podem pensar e dizer, a Igreja não celebra o funeral do Senhor, mas, a sua morte vitoriosa, uma vez que se entrega livremente por nós na cruz. Somos chamados a viver a prática do jejum, da oração e da abstinência de carne. Tais práticas tornam o nosso coração mais sensível para experimentarmos os mistérios que envolvem o caminho do Senhor até o calvário, sua agonia, crucificação e morte.

       Podemos acompanhar os passos obedientes de Jesus que vai até as últimas consequências dos desígnios do Pai, aniquilando a própria carne e com ela os pecados de toda a humanidade. Ele, que não tinha pecado algum, se fez pecado por nós, condenado em nosso lugar. “Ele tomou sobre si as nossas dores e transgressões, o castigo que nos traz a paz estava sobre ele e por suas chagas fomos sarados” (Is 53,5).

       Este é o único dia na Igreja que não se celebra a ceia do Senhor, concentrando – se os olhares e atenção à adoração à cruz de Cristo, sinal e penhor da vitória sobre a morte e o pecado. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 112, 32).

       A Igreja concede indulgências àqueles que neste dia honrarem a cruz exposta nas Igrejas com o ósculo santo.

 

O SÁBADO SANTO

“Esta é a noite em que Jesus rompeu o inferno, ao ressurgir da morte vencedor”.  (Precônio Pascal)

 

       A Igreja convida os fiéis no Sábado Santo ao silêncio e à meditação, é um dia de nos debruçarmos sobre o sepulcro do Senhor e aguardamos, juntos com Maria, com a mesma esperança e confiança, a expectativa da Ressurreição. O mistério de Cristo no sepulcro, torna-se convite para meditar no mistério de Cristo escondido no mistério do Pai. Nesse dia, somos chamados a estar junto com as mulheres às portas do sepulcro (Mt 27,61). Como fiéis somos chamados à contemplação, nutrindo no coração a esperança da ressurreição. 

       A celebração da Vigília Pascal é por isso o coração de todo o ano litúrgico e dela se irradiam todas as outras celebrações. Santo Agostinho a define “como Mãe de todas as Vigílias”. Nessa noite Santa, a Igreja celebra de modo sacramental mais pleno, a obra da redenção e da perfeita glorificação de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, tornado para nós um novo Adão, ao pagar nossa culpa, se entregando à morte; e morte de Cruz.  

       Tal celebração tem origem na antiga páscoa onde o povo de Deus saiu da escravidão do Egito rumo à terra prometida e essa terra prometida nada mais é que o próprio céu. Esse céu agora nos é dado definitivamente por Jesus, que destruiu em si mesmo todo o pecado e rompeu o inferno, ele que nos dá a vitória com a sua morte e ressurreição.

 

O DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo – nos e nele exultemos. (Sl 118)

 

       A partir do Domingo de Páscoa iniciamos o Tempo Pascal. Celebramos, nesse dia, o Cristo Ressuscitado que está vivo no meio de nós. A morte já não tem mais poder sobre o homem, pois, Cristo venceu a morte com a sua ressurreição. Jesus verdadeiramente está vivo no meio de nós. Com Ele morreu a nossa vida velha, somos novas criaturas.

       Graças ao Domingo da Ressurreição podemos celebrar a páscoa a cada domingo e viver como pessoas livres. Isso é motivo de grande alegria, porque o Senhor nos reconciliou definitivamente com o Pai e graças a Ele podemos cantar a cada dia: “Aleluia, O Senhor ressuscitou!  Sim, verdadeiramente ressuscitou, aleluia”.

 

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

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