Misericordiosos como o Pai



O conceito de “Misericórdia” nunca teve tanta necessidade de ser empregado como nos dias de hoje. Na política, os cidadãos quase estão perdendo a esperança, devido as “roubalheiras” dos nossos governantes. A Família, a cada dia, está sendo mais destruída. O mundo está uma “bagunça”; até o Sagrado está perdendo seu valor na sociedade. Diante de tantas turbulências, o Espírito Santo inspira a Igreja a viver a Misericórdia.

Viver a Misericórdia é contemplar a vida de Cristo na humanidade do mundo. Cristo viveu no amor, ensinou o mundo a amar, e denunciou o desamor e a hipocrisia dos fariseus e do mundo. Muitas pessoas veem a Misericórdia, um pouco distorcida, substituindo, por vezes, o Sagrado pelo profano, só para agradar aos homens. Isso não é Misericórdia. Ser misericordioso não é ser conivente com o mal, ou ignorar o tempo em que vivemos, mas, é justamente, remar contra a correnteza do mundo e plantar o amor e a verdade no coração dos homens.

No entanto, plantar amor onde não existe amor, não é uma tarefa fácil. Por isso, a Misericórdia é uma graça de Deus. Sendo graça, ela não pode ser adquirida somente por mãos humanas, mas, é dada por Deus ao homem. Deus nos dá essa graça de sermos misericordiosos. A nós, cabe abraçar esse dom, acolher a semente de Deus e semeá-la no mundo. Assim, essa semente que nós devemos semear é dada por Deus, tendo um potencial de se tornar uma grande árvore em que toda a humanidade pode se abrigar.

Ser misericordioso, não é aceitar a condição em que vivemos ou que o outro vive, e compactuar com esta condição. Mas, é denunciar o mal, e tentar mudar essa realidade, pelo amor. É uma busca pela Verdade, que passa pela imitação de Cristo.

Quando a Igreja diz para acolhermos os homossexuais, os casais em segunda união, os dependentes químicos ou qualquer outra pessoa que esteja sendo desprezada pelo mundo, ela quer que primeiro apresentemos a essas pessoas o amor de Deus, que ama de modo incondicional, para que façam uma experiência marcante com a Misericórdia de Deus. Para, então, com muito amor, indicar o caminho que conduz a Porta Estreita que leva ao Céu, tentando revelar a Verdade e a verdadeira liberdade a esses corações machucados pelo mundo.

Na parábola do Filho Pródigo, o Pai só acolheu o filho, e não perguntou nada, mas, celebrou o retorno dele a sua casa. No entanto, o filho não voltou a vida de pecado que vivia antes, devido a imensidão do Amor que sentiu no seu retorno. Do mesmo modo, aconteceu com a mulher adúltera. Jesus acolheu aquela mulher, não a julgou, não a condenou, mas, muito amou, e a advertiu: “Vai e não peques mais” (Jo 8, 11). A mulher condenada ao apedrejamento, teve sua vida mudada, e acolheu a Palavra de Deus, com toda sua plenitude. Muitos exegetas dizem que esta mulher seria Maria Madalena.

Madalena fez uma forte experiência com a Misericórdia Divina, ao ponto de se tornar uma grande amiga de Jesus, permanecendo com o Mestre, no momento da sua Morte e Ressurreição. Logo, a experiência da Misericórdia, provoca a conversão do coração, e sermos misericordiosos é levar esta luz de conversão ao mundo.

O mundo quer destruir o Amor, pois sem amor, não há verdade, felicidade ou liberdade. É agora que precisamos ser Misericórdia no mundo, levando amor a toda a humanidade, resgatando o mundo da Perdição que o aguarda. Enfim, Agir com Misericórdia é dar Dignidade, no contexto mais nobre da palavra. Agir com Misericórdia na Família, é dar Dignidade a Vida; Agir com Misericórdia na Política, é restaurar a Dignidade dos cidadãos; Agir com Misericórdia no Mundo é dar Dignidade ao Ser Humano.

“Sede Misericordiosos como o Pai” (Lc 6, 36). Uma vez entendido o verdadeiro sentido da Misericórdia, podemos ouvir, com clareza, esse mandamento de Jesus. Sejamos luz no mundo, para que a humanidade se deixe envolver com o amor, e se converta nesse amor. Sejamos Misericordiosos, pois, o mundo está ressequido pelo ódio, pelo remorso e pela inveja.

No ano de 2016, a Igreja vive o Ano da Misericórdia. Em todas as dioceses do mundo, a Misericórdia de Deus se faz como tema central, fazendo crescer as devoções a Jesus Misericordioso e as peregrinações às Portas Santas. A Igreja reza pelo Mundo, sem distinção de religião ou etnias. Que todos nós, como cristãos, vivamos essa proposta.

No dia 03 de abril, a Igreja celebra o Domingo da Divina Misericórdia. O Papa João Paulo II estabeleceu esse dia como dia da Misericórdia, em reconhecimento a autenticidade do diário de Santa Faustina, onde narra que Jesus Misericordioso declarou a freira: “Eu desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Misericórdia” (Diário 299).

É este o tempo favorável para semear Amor, para sermos sinais de Misericórdia. Enfrentar o mundo é uma luta diária, uma batalha árdua, mas, o cristão não pode deixar que o mundo vença. Ser cristão, realmente, não é fácil, dói, sofremos, mas, nos aproximamos mais de Cristo. A Misericórdia é um caminho trilhado pelo cristão, tendo como finalidade a própria Misericórdia de Deus, encontrando nela a felicidade e a vida eterna. É sendo esse sinal de amor que reavivaremos a esperança em um amanhã melhor. Misericórdia gera misericórdia, e assim, o mal é vencido, nessa batalha, onde nossas armas são o Amor e a Verdade.


Leandro Perpétuo

Com. Amigos de Jesus

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