Como São Tomás vê a amizade?

May 3, 2016

 

       A entrada em cena de São Tomás de Aquino se dá pelo fato do mesmo estar interessado no conceito de amizade para descrever a relação entre Deus e o homem. Por isso, ele bebe das fontes aristotélicas como instrumento para atingir seu objetivo. Apesar de S. Tomás ter Aristóteles como fonte, a sua base que fundamenta a sua abordagem, particularmente na Suma teológica é cristã e teologal e sempre começa a partir do mistério de Deus, e do mistério do amor de Deus pelo homem. Ele não se envolve em uma análise filosófica ou psicológica da vida humana, dos atos humanos, ele procura estabelecer o que é conceitualmente necessário para pregar (dizer) a fé. Para S. Tomás a existência humana só encontra seu sentido, sua natureza profunda, na intimidade com Deus.

       Na Suma Teológica, a amizade, e sua relação com outras formas de amor, são objeto de um estudo específico no Tratado das paixões da alma. O termo paixão refere-se ao fato do ser humano ser atraído para o que está nele. O amor é uma paixão de concupiscência, pois, ela é sensível à atração. O amor é a atração para o bem e está situado entre duas formas de apetite. Para baixo, por assim dizer, é um apetite puramente sensível, sem qualquer participação de liberdade como os dos animais. Para cima, é um apetite puramente racional que é a vontade. E o amor está no meio do caminho, ele possui uma parte sensível, mas também uma parte de liberdade.

       Para São Tomás, a paixão significa simplesmente o movimento de atração induzida por um bom objeto no sujeito humano.  O movimento de amor tende para dois termos: Para o bem que queremos para si mesmo ou para o outro, amor amizade, e o movimento de amor que quer o outro como propriedade, amor luxúria. O amor luxúria se liga ao outro de maneira relativa, em vista de outra coisa. O amor amizade respeita e quer o outro por aquilo que ele é e não pelo que tem.

       São Tomás, não designa o amor luxúria por uma categoria moral. Ele tem uma definição mais ampla, que se aplica a todo o amor onde o objeto não é amado por si mesmo, mas, para outra finalidade. O amor luxúria não é apenas uma forma de egocentrismo; é definido pela forma como o objeto é considerado e não pelo estado de espírito de quem ama. Mesmo se o amor se desenvolve em relação ao objeto com vista a uma boa e reta intensão, se o objeto é considerado com um propósito diferente de si mesmo, este amor é da ordem da luxúria.

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