São Luiz e Santa Zélia, um presente para as famílias



Durante toda a minha juventude, sempre me inspirei na vida dos santos a fim de compreender a vontade de Deus a meu respeito, o que eu deveria fazer para agradá-lo, servi-lo e amá-lo. Quando conheci Santa Teresinha do Menino Jesus me encantei pela sua “Pequena Via” e adorava ler seus escritos e a sua história.

Os anos passaram, tornei-me adulta, esposa e mãe e, de repente, voltei a encontrar com essa querida santinha, mas, agora de uma forma muito nova. Conheci também os responsáveis pela sua formação humana e espiritual, os seus pais Sr. e Sra. Luiz e Zélia Martin.

Foi através da leitura do livro “História de uma Família” que, eu e meu esposo, encontramos um tesouro escondido. Um casal profundamente comprometido em cumprir sua missão de ser família e que na simplicidade do cotidiano trouxeram para dentro do lar a simplicidade da casa de Nazaré, o espírito de oração que não perdia em nada para os mosteiros de vida contemplativa.

Enquanto líamos e rezávamos com a vida dessa família chegou-nos a notícia, de que havia sido marcada a Missa de Canonização do Casal para o dia 18 de outubro de 2015, em Roma. Vendo a importância desse acontecimento na história da Igreja e das famílias, desejamos muito estar presente. Rezamos, pedimos a Deus que nos mandasse a providência para fazermos a viagem e, então, fomos para a missa que marcaria as nossas vidas para sempre.

Vale explicar que, para que uma pessoa seja proclamada santa pela Igreja é necessário passar por dois processos. O primeiro é a beatificação que acontece a partir da constatação de um milagre ocorrido pela intercessão daquela pessoa. O segundo é um novo milagre que garantirá a sua canonização. No caso do casal Luís e Zélia, não foi necessário constatar dois milagres para cada um. A igreja pediu a constatação de dois milagres apenas. Isso para nos dizer que aqui na terra como no céu, através do sacramento do matrimônio, eles são um. Como nos afirma Tertuliano:

“Donde me será dado expor a felicidade do matrimônio unido pela Igreja, confirmado pela oblação eucarística, selado pela bênção, que os anjos anunciam e o Pai ratifica? Qual jugo aquele de dois fiéis numa única esperança, numa única observância, numa única servidão! São irmãos e servem conjuntamente sem divisão quanto ao espírito, quanto à carne. Mais, são verdadeiramente dois numa só carne e donde a carne é única, único é o espírito”. (In FAMILIARIS CONSORTIO, artigo 13, § 4).

O dia tão esperado chegou e seguimos rumo à Praça de São Pedro para a missa de canonização. Encontramos uma multidão de fiéis de várias partes do mundo com estandartes e lenços estampados com os rostos dos futuros santos. Era algo impressionante, o meu adorável casal que parecia pertencer somente a minha família estava agora a um passo de serem venerados pelo mundo inteiro.

A missa começou e lá estava o Papa Francisco acompanhado por cardeais do mundo inteiro, uma vez que acontecia naquela semana o Sínodo para as Famílias. Não havia outra coisa a fazer a não ser apreciar cada detalhe daquela missa que, a meu ver, mais falava das coisas do céu do que da terra. E esse sentimento foi crescendo ao longo da missa até que o Papa concluiu o rito com a oração de canonização e entoaram lindamente a Ladainha de Todos os Santos. Senti que o céu é real e possível a todos nós, desejei com todo o meu coração ser uma família santa.

Recebi aquele casal como meus novos baluartes e de uma maneira especial confiei a gestação do meu sétimo filho à Santa Zélia, tinha no meu coração que com a intercessão dela alcançaria muitas graças e foi o que de fato aconteceu. Sendo ela mãe de nove filhos, sentia que não havia nada na minha vida que ela não pudesse compreender, uma vez que eu, também, sou mãe de nove filhos, sendo que dois se encontram no céu. Sendo assim, confiei todos os desafios daquela nova gestação abandonando todos os medos e ansiedades à sua intercessão.

Não há como deixar de reconhecer a graça alcançada, vivenciei uma das melhores gestações da minha vida e um parto muito feliz, tenho plena convicção, que tudo foi por graça de Deus e a fiel intercessão deste casal amigo que está noite e dia na glória de Deus, clamando por mim e pelas famílias do mundo inteiro.

A data escolhida para celebrar a memória do casal é dia 12 de julho, o dia que eles se casaram. Louvemos então a Deus que através da Santa Igreja nos presenteou com esses tão grandes santos, a fim de que sigamos, firmes a missão de sermos famílias, na confiança de que não estamos sozinhos.

São Luiz e Santa Zélia, rogai por nós!

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus


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