A amizade no casamento

July 15, 2016

      O magistério da Igreja ensina que o casamento tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja:

 

     O Matrimônio cristão se torna, por sua vez, sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo e da Igreja. O Matrimônio entre batizados é um verdadeiro sacramento da nova aliança, pois significa e comunica a graça (CIC 1617).

        

     À luz de Aristóteles e de São Tomás de Aquino, como poderíamos descrever um processo de encontro que realmente leva o casal a ser esse sinal eficaz desse amor esponsal, ou melhor, dessa amizade plena? Quando um casal se conhece, na maioria das vezes, são atraídos pela beleza corporal, pela admiração intelectual ou mesmo por algum interesse pessoal que não seja nobre.  Nessa fase inicial de relacionamento, temos presente a amizade útil e a prazerosa. Um desenvolvimento natural e sadio desse relacionamento deverá levá-los para a amizade virtuosa.

     Nessa perspectiva, o casal irá conseguir atingir um nível de relacionamento que possa ser um verdadeiro sinal eficaz se, e somente se, cada um deles buscarem a amizade com Deus. Aplica-se aqui, facilmente, o pensamento de S. Tomás com relação ao amor ao próximo. O próximo é amado porque ele é amigo de Deus. Durante uma vida inteira juntos, logicamente, estão presentes o amor útil e o prazeroso. É o aspecto unitivo do casamento. O companheirismo e a vida sexual fazem parte desse processo. Porém, não são suficientes para fazer perpetuar uma relação.

     Tem que existir um ponto convergente maior, e esse ponto é a amizade que cada um possui com Deus. Grandes problemas conjugais estão presentes no matrimônio, porque cada parte do relacionamento quer impor ao outro o seu modo de viver. Em uma verdadeira amizade, nada é imposto, porque naturalmente os corações convergem para o comum, para o que é semelhante. Não quer dizer que os cônjuges têm que ter o mesmo pensamento sobre todas as coisas, mas, os corações têm que convergir para Cristo. Quanto mais enamorados com Cristo, mais enamorados entre si. Aqui, mais do que em qualquer outra situação, podemos dizer que sem fé e sem esperança não há caridade.

     Não poderia haver exemplo melhor a dar, para ilustrar o que foi descrito anteriormente, do que o dos pais de Santa Teresinha do Menino Jesus. Os santos Luiz e Zélia Martin, além de S. Teresinha tiveram mais oito filhos. Abaixo uma das cartas apaixonadas de Zélia para Luiz:

 

 

     “Meu querido Luiz,

 ...Nada disso me interessa! Ando exatamente como os peixes que tu tiras para fora da água: já não estão no seu ambiente, não lhes resta senão morrer. Creio que era o que me aconteceria se a minha permanência aqui tivesse sido prolongada…Acompanho-te em espírito a toda hora. Digo para mim mesma: “Neste momento está a fazer isto ou aquilo”. Quanto me tarda ver-me junto de ti, meu querido Luiz! Amo-te de todo o meu coração e sinto que o meu afeto aumenta com a privação da tua presença que tanto sinto. Seria impossível para mim viver separada de você. Esta manhã assisti a três missas. Fui às das seis, fiz a ação de graças e rezei as minhas orações durante a das sete, e voltei à missa cantada. ...Verei se é possível escrever-te amanhã, mas não sei a que horas voltaremos de Trouville. Escrevo com muita pressa porque estão à minha espera para ir fazer visitas. Regressamos na quarta-feira à tarde, às sete e meia. Como me parece distante! Beijo-te com muito amor. As filhinhas recomendam-me que te diga que estão muito contentes por terem vindo a Lisieux e que te mandam muitos beijos (Carta de Zélia a Luiz, de 31 de agosto de 1873). (p.57).

        

     O leitor que tiver a oportunidade de ler a biografia desses dois santos, verá a comprovação da reciprocidade de Luiz para com Zélia, tanto no amor conjugal quanto na piedade religiosa.

 

Fernando Emerick

Fundador da Com. Amigos de Jesus

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