Um pai segundo o coração de Deus

August 13, 2016

 

       Vivemos hoje uma crise de identidade e uma inversão de valores em uma sociedade que está no meio de uma revolução tecnológica acirrada e de uma intensificação da formação das redes sociais. Estamos sendo levados por uma enxurrada de lixo, ficando cada dia mais escravos do capitalismo selvagem, da busca pelo poder, de um trabalho cada dia mais intenso. O desfecho disso é a nossa atual realidade: uma sociedade doente, sofrida, abatida, reprimida e a beira de um colapso!

       E foi nesse cenário que se desenrolou a minha história, desde a história de meu pai que trabalhava duro, dia e noite. Trabalho sofrido, muito cansaço, sacrificando-se para dar o melhor para seus filhos. Acreditava ele que estava fazendo o melhor, e assim, anos e anos foram se passando. Não me lembro de meu pai ter me chamado para conversar a respeito de Deus, namoro e outros assuntos; não o condeno por isso. Com certeza, ele também não deve ter tido essa experiência com o meu avô.

       Quando me casei, o conceito que tinha de pai era de um homem que teria que trabalhar duro para sustentar a casa, dando aos filhos tudo o que havia de melhor. E assim, fui ficando cada dia mais focado no trabalho, suprindo minha ausência de casa com coisas materiais que, de imediato, trazia muitas alegrias para os meus filhos. Às vezes, ainda encontrava um tempo para eles, pois, me lembro muito bem que fui eu quem ensinou meu filho a andar de bicicleta, jogar bola, a nadar e outras coisas de crianças. Aos meus olhos, éramos uma família feliz, pois, tínhamos tudo o que eu acreditava ser necessário para uma família viver bem: casa, carro, um trabalho digno, boa escola para os filhos, viagens, festas, uma vida normal e feliz; tirando alguns contratempos que, para aquele cenário ao qual estávamos inseridos, seria normal.

       Foi então que conheci o Fernando e a Kelly, fundadores da Comunidade Amigos de Jesus. Comecei a participar da Comunidade, aceitei fazer um caminho vocacional e nos tornamos, eu e minha esposa, membros dessa Comunidade. Começava, então, uma nova etapa na minha vida. Aprendi a ter vida de oração através das formações dadas. Compreendi o quanto eu estava longe de ser um pai segundo o coração de Deus e quão errado eu estava no meu conceito de pai; nada tinha a ver com a vontade de Deus para as famílias. Percebi o quanto precisava melhorar meus relacionamentos, com Deus, com meus filhos, com minha família, enfim! Aprendi, que minha maior missão enquanto pai, seria educar os filhos na fé, ajudá-los a descobrir sua vocação de filhos de Deus, criando-os para o céu, para a eternidade e que, o maior legado que eu poderia dar aos meus filhos seria o legado espiritual, a verdade de Deus.

       No início deste ano, tivemos uma formação ministrada pelo Fernando sobre Luís e Zélia Martín, o primeiro casal a ser canonizado. Entendi que passei anos de minha vida correndo atrás do vento, deu-me um sentimento enorme de frustração. O que me restava, era uma grande decepção comigo mesmo. Parecia que tudo estava perdido, e só me restava dizer: “E agora?”

         Fiz, então, uma autoanálise de minha pessoa enquanto pai e cheguei à conclusão que, seria necessário recomeçar em Deus e que tudo o que eu mais quero é ter uma família santa e criar filhos santos para Deus. Decidi, então, ser um pai melhor, mais paciente, mais aberto ao diálogo, pedir perdão, perdoar, amar os meus filhos, interceder e rezar por eles. Sei que ainda tenho muito a melhorar, que o caminho é longo, cheio de obstáculos e intempéries. Sei que ainda posso errar muito, mas, a minha intenção é reta diante de Deus.

       Hoje, mais do que nunca, quero louvar e agradecer a Deus pelo sim do Fernando e da Kelly, pela “Comunidade Amigos de Jesus”, que tem resgatado muitas famílias para Deus e que me ajudou a compreender a exortação de São Paulo que diz: Não vos conformeis com este mundo, mas, transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.(Romanos 12:2-2).

       Neste mês, dedicado aos pais, peço a Deus que me dê a graça de crescer a cada dia no conhecimento da sua vontade, para poder um dia testemunhar com a vida, a verdadeira felicidade em ser inteiramente de Deus! Peço a intercessão de São José que foi um pai obediente à vontade de Deus, e a São Luís de Martin que foi um exemplo de pai cristão. São José e São Luís Martin rogai por nós!

 

Custer de Oliveira

Comunidade Amigos de Jesus

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