O Espírito Santo e a Bíblia (Parte VI)

September 30, 2016

 O ESPÍRITO SANTO, “ESPÍRITO DE JESUS”

Em tuas mãos entrego o meu Espírito

 

 

       A Transfiguração do Senhor também é caracterizada como uma Teofania. E também podemos associá-la, como no batismo, à uma manifestação de amor. Segundo São Tomás de Aquino, a Trindade inteira apareceu neste momento: O Pai, na voz; o filho, no homem; e o Espírito, na nuvem clara.[1] Porém, como nos diz o catecismo da Igreja, a transfiguração está no limiar da Páscoa, como uma antecipação da Paixão e da vinda gloriosa do cristo[2]. Neste sentido, a ação do Espírito Santo na transfiguração proporciona um misto de paixão e glória:

       Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias, que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém.[3]

       Passando da antecipação para a consumação, entrando na paixão do Senhor, sessam-se as teofanias, as curas e os milagres. Aqui, acontece a entrega, o aniquilamento, a dor, o sofrimento, o silencio do Pai e do Espírito Santo. Aqui, a presença do Espírito Santo como Espírito de Jesus é comprovada pela obediência do Filho ao Pai. O Filho faz a vontade do Pai, o Filho ama os seus, aqueles que o Pai os confiou. Aqui, o Espírito Santo se manifesta de forma velada, “se esconde no corpo de Cristo” para que o Filho passe por tudo o que ele teria que passar. Aqui, o Espírito Santo aguarda ansiosamente a “noite de alegria verdadeira” para que ele possa se manifestar gloriosamente na ressurreição.

       Jesus é crucificado, e antes de ser elevado aos seus é elevado sob o madeiro. É considerado culpado pelos judeus e pelos romanos. “Deus está morto”: Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio. Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.[4] Jesus entrega seu espírito ao Pai, porém, seu corpo continua sendo o Verbo: Pelo fato de que na morte de Cristo a alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e a alma de Cristo existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo.[5]

       Jesus, na sua condição humana, teve que confiar plenamente no Pai e no Espírito Santo. Não haveria entrega maior a ser feita do que entregar o seu próprio espírito e ficar desprovido da vida. 

Fernando Emerick

Fundador da Com. Amigos de Jesus



>> Continue lendo: O Espírito Santo e a Bíblia (Parte VII) <<

 

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[1] Suma Teologica III, 45,4, ad 2.

[2] CIC 556

[3] Bíblia Sagrada. Lc 9, 29-31.

[4] Ibid. Lc 23, 44-46.

[5] CIC 626

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