Teresa de Jesus, uma busca incessante de Deus

October 15, 2016

       Neste mês de outubro, quero lhe convidar para que voltes o teu olhar para a pessoa de Santa Teresa de Jesus.  Alguns talvez a confundam com sua filha espiritual, Santa Teresinha do Menino Jesus. Ambas são Carmelitas, porém, Santa Teresa de Jesus ou Teresa de Ávila é a fundadora dos Carmelitas Descalços, cuja ordem foi fundada no ano de 1593. Somente mais tarde, no ano de 1888, é que dá entrada no Carmelo a menina Teresinha do Menino Jesus ou Teresa de Lisieux que também se tornará uma grande santa da Igreja.

       Poderíamos dizer que essas duas mulheres são autênticas figuras de pessoas que só souberam amar e servir a Deus tendo como único objetivo fazer a vontade dele aqui na terra. Mas, quero, de uma maneira especial, apontar o itinerário espiritual de Santa Teresa de Jesus uma vez que foi através da sua “determinada determinação” que hoje podemos compreender a relação de amizade existente entre nós e Jesus.

 

       Santa Teresa foi uma mulher revolucionária para o seu tempo e ainda o é para os dias atuais. Nasceu na Espanha, na cidade de Ávila, a 28 de março de 1515, em plena época da reforma protestante.  Foi uma mulher de senso crítico muito apurado, era cheia de vivacidade e extremamente audaciosa.

       Filha de Alonso Sanches de Cepeda e Beatriz Dávila e Ahumada. Teve educação esmerada e extremamente cuidada pelos pais. Gostava de ler histórias de santos mártires, a ponto de certa vez, fugir de casa aos sete anos de idade com seu irmão mais novo Rodrigo, para dar a vida por Cristo tentando evangelizar os mouros. Tal empreendimento não teve sucesso porque foram encontrados pelo tio na porta da cidade, que os trouxeram de volta para casa.

       Sua mãe faleceu quando Teresa tinha 14 anos. Então, seu pai a levou para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila, uma vez que percebia os riscos que essa adolescente corria, permanecendo no meio de amigos e primos. Muito expansiva e comunicativa, Teresa nessa época enche-se de vaidades e cuidados com a aparência.

       Certa vez, a Santa leu as "Cartas" de São Jerônimo. Ficou tão impressionada que disse a seu pai que iria se tornar religiosa, não recebendo o seu consentimento, decidiu fugir para o mosteiro da Encarnação. Dessa vez, sua fuga foi bem sucedida, entrou para o Mosteiro Carmelita da Encarnação aos 20 anos de idade. É ela que narra mais tarde nos seus escritos autobiográficos, que não entrou no convento por uma convicção, mas, por medo do inferno e para garantir a felicidade celeste, uma vez que não se via casada, buscou na vida de religiosa um caminho de santidade.

       Durante quase 20 anos, Teresa permaneceu nesse convento cercada de aproximadamente 180 monjas. Esse tempo foi marcado por sofrimentos físicos e espirituais da Santa. Teresa passou por graves enfermidades, sendo que, em uma delas, suas irmãs chegaram a abrir-lhe uma cova julgando que ela estivesse morta.

       Tal mosteiro participava da vida burguesa da época e como vivia da doação de seus benfeitores, julgava que seria necessário participar ativamente de suas vidas. Sendo assim, acontecia diariamente uma invasão de muitos visitantes, tornando o parlatório um lugar de muitas conversas e frivolidades. Teresa com toda a sua simpatia e vivacidade se encontrava mergulhada nesse contexto; deixou-se viciar por uma vida burguesa, cheia de preocupações, futilidades e conversas tolas. Como ela mesmo afirmou, dos 20 aos 39 anos, havia sido uma monja medíocre.

       Sua conversão inicia-se durante um momento de enfermidade, estando ela na casa de seu tio Pedro para tratar-se, recebeu dele um livro de Francisco de Osuna, intitulado: “O terceiro Alfabeto Espiritual”. Ao lê-lo o seu coração se inflamou e ela começou a ter oração mental. Descontente por saber que não agradava a Deus, buscava constantemente a confissão, a direção espiritual como meio de compreender o que o Senhor realizava dentro de si.

       Certo dia, olhando uma imagem de Cristo muito sofrido e ensanguentado perguntou: "Senhor, quem vos, colocou aí?" Pareceu-lhe ouvir uma voz: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa". Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.

       Assumiu, a partir dessa experiência, a sua conversão e voltou ao fervor da espiritualidade carmelita. Aos trinta e nove anos, ocorreu o que podemos chamar se sua “segunda conversão". Teve a visão do lugar que a esperaria no inferno se não tivesse abandonado suas vaidades. Iniciou, então, o seu grande trabalho de reformista.

       A partir da sua conversão, Teresa vê a necessidade de uma vida mais introspectiva e de voltar às origens na vivência da regra primitiva da ordem. Em seu entendimento, ao rezar, deveria pensar-se com mais afinco no que se diz e não apenas recitar muitas fórmulas, quase mecanicamente, apenas mexendo com os lábios, sem meditação, como tinha tornado costume fazer-se já em sua época. Segundo o que ensinou Teresa, a melhor forma de oração, ou a sua eficácia seria ter uma oração de recolhimento. Nesse modo de rezar o espírito deveria esvaziar-se de si mesmo, a imaginação e o entendimento calar-se, e então, aprende-se a amar a Deus.

       Em seu modo de rezar, ela se fixa no pensamento meditativo dos mistérios da humanidade de Cristo, no seu sofrimento redentor e amoroso e, pouco a pouco, abandona seu próprio ser e seu espírito, desinteressando-se de si mesmo. A alma vive e vê tudo isso. É uma forma de oração ativa, laboriosa, voluntária e perseverante. Numa palavra, contemplativa.

       Teresa reconhece que a oração é um tratado de amizade, é um relacionamento afetivo com Jesus. Com ele falamos das coisas do coração, e ele como um amigo fiel que nos escuta e nos ama. “A meu ver, a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes conversando a sós com ele”.

       Teresa viveu 27 anos nesse mosteiro da Encarnação. Em 1560, teve a inspiração de um novo Carmelo, onde se vivesse fielmente a regra primitiva. Dois anos depois, fundou o primeiro Convento das Carmelitas Descalças da Regra Primitiva de São José em Ávila, onde foi morar. Em 1562, com 47 anos, Teresa deu início às fundações de mosteiros reformados na Espanha. Santa Teresa conseguiu fundar inúmeros mosteiros, além de recuperar o fervor primitivo de muitas carmelitas, juntamente com São João da Cruz que deu início também à reforma do ramo masculino.

       Ela teve muitos sofrimentos físicos e morais antes de morrer. Doente, morreu no dia 4 de outubro de 1582, aos sessenta e sete anos, no Convento de Alba de Torres, Espanha.  Suas últimas palavras foram: "Senhor, morro filha da Igreja" e por fim: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!".

       Beatificada em 1614, foi canonizada em 1622. A comemoração da festa da transverberação do coração de Santa Teresa ocorre em 27 de agosto, enquanto a celebração do dia de sua morte ficou para o dia 15 de outubro, a partir da última reforma do calendário litúrgico da Igreja.

       O papa Paulo VI, em 1970, proclamou Santa Teresa d'Ávila doutora da Igreja, a primeira mulher a obter tal título. Autora de grandes obras como Caminho de Perfeição, Livro da Vida, Moradas, Fundações e outros. Nossa Santa tornou-se Mestra da Oração e Doutora da Igreja. Peçamos por isso sua intercessão, para que cresça, também, em nós um sentimento profundo de pertença à Igreja de Jesus e um desejo cada vez mais crescente de nos tornarmos amigos dele.

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

Please reload

                  ARTIGOS                 

Fátima, Marxismo e Família

April 30, 2020

1/6
Please reload

Please reload