Matrimônio, um caminho de santificação (Introdução)

November 14, 2016

         O significado da palavra santidade, teve um longo percurso até chegar aos dias atuais, podendo hoje ser definida como a vivência plena da vida cristã ou como a perfeição da caridade. No antigo testamento, podemos destacar em um primeiro momento a santidade como eleição. Deus elege Abraão e o separa para gerar um povo seu: O Senhor disse a Abrão: Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. (Gn 12, 1-2). Aqui a santidade assume a ideia de separação. Deus separa Abraão, o retira de sua família para uma nova terra. Nesse primeiro momento não há outra exigência a não ser a de deixar as suas origens.

       Posteriormente, o povo escolhido (separado) teve que se submeter à lei dada por Deus a Moisés. O decálogo e a lei mosaica de uma forma em geral, passa a servir de referência na relação de Deus com o seu povo escolhido. A obediência à lei torna-se critério de fidelidade a Deus e à sua vontade. A pertença a Deus é medida através do zelo para com a lei. Não podemos negar o valor humano e espiritual presente na lei mosaica porém, a relação de Israel com a lei ao longo dos séculos culminou em uma relação de forte caráter legalista: Porque eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos. (Os 6,6).

       Após o Natal do Senhor, Jesus dá uma nova interpretação à lei, condenando o carácter legalista e privilegiando a dignidade do ser humano: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. (Jo 8, 7). A santidade que agora é pregada e vivida por Jesus está centrada no amor ao próximo, sendo expressada através de pequenos gestos: Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa. (Mt 10,42). E, também, é expressada através de grandes renuncias: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. (Jo 15,13).

       Quando colocamos o relacionamento humano em evidência, no que se refere à promoção de uma vida plena e feliz, aprofundando o significado da santidade à luz de Cristo, se considerarmos o mundo atual, entramos quase que em um universo paralelo. Entramos no mundo da liberdade autêntica, do perdão, da compaixão, da renúncia, da solidariedade, enfim, da busca da vivência plena da vida cristã. Neste sentido, o casamento pode se apresentar como um caminho de santidade, pois, pode se configurar como um local privilegiado para o exercício da perfeição da caridade nas pequenas exigências da vida ordinária, bem como, nos grandes desafios do relacionamento humano no mundo moderno.

       A Bíblia Sagrada, os documentos da Igreja, a vida e os ensinamentos dos santos constituem uma rica e vasta fonte para a espiritualidade do Matrimônio. No entanto, encontramos pequenas produções literárias que utilizam dessa fonte com o objetivo de desenvolver uma espiritualidade, autenticamente, conjugal. Apesar do caráter universal presente nos santos celibatários e na maioria dos carismas presentes na Igreja, é preciso aprofundar nas áreas específicas da vida matrimonial.

       O presente trabalho tem como objetivo desenvolver uma proposta de espiritualidade do casamento como caminho de santidade. Com este propósito, o magistério da Igreja e o casal São Luís e Santa Zélia, os pais de Santa Teresinha do menino Jesus, podem nos dar pistas valiosas para a compreensão deste caminho.

Fernando Emerick

Fundador da Comunidade Amigos de Jesus

 

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