Solenidade de Cristo Rei: O seu reino nunca terá fim



A Igreja celebra no último domingo do Tempo Comum, a Solenidade de Cristo Rei, onde declaramos Jesus como Senhor do tempo, de tudo e de todos. Isso, para mim, é motivo de muita alegria, pois, um dia decidi deixar que Ele fosse o Senhor de minha vida e de minha história, ao resolver deixar de trabalhar fora para ficar em casa e cuidar de meu marido e de meus filhos. Essa decisão não implicou somente numa adesão a Ele e num desejo de transformação de todo meu interior e uma busca incessante da verdade, ela foi muito além, ultrapassou limites, quebrou barreiras e se fez real quando tive que despojar-me de tudo, esvaziar-me de mim mesma, para ser um com Ele. Isso se deu quando entrei para Comunidade Amigos de Jesus, trocando toda minha rotina normal diária, por uma vida de oração, com o desejo de colocar Jesus sempre no centro e buscar o cumprimento de sua vontade.

Ao nos aproximarmos de Jesus, Ele vai revelando nossa humanidade e exigindo de nós uma transformação. Dentre tantas coisas que precisavam ser mudadas em mim, a que se fazia mais urgente era a observância do meu papel de mãe e esposa, que estava todo distorcido. Não foi fácil, como até hoje não o é. A gente sempre se esbarra na falta de diálogo. Tinha muita dificuldade de aceitar os defeitos do meu marido, vivia reclamando e culpando-o de tudo, não tinha o hábito de apresentar a Jesus meus planos e projetos e pedir a Ele direcionamento, fazia tudo “pelos cocos”.

Um dia falei para meu marido que queria reformar o teto de minha sala. Ele me disse pra esperar e foi para o trabalho. Fiz um orçamento e liguei pra ele dizendo que poderíamos dividir o valor. Insisti tanto que ele cedeu. Liguei e confirmei o serviço e quando ele chegou, à tarde, o teto já estava todo abaixo. No outro dia o serviço foi concluído, e o rapaz me falou que só faltava pintar. Quando meu marido chegou do trabalho e eu disse isso a ele, ele ficou bravo e falou: “Agora vai ficar assim! Eu te falei que era para esperar”. E até hoje meu teto está sem pintar; consequências de minhas infantilidades.

Desde então, começou a despertar em mim o desejo de colocar tudo nas mãos de Deus e ao fazer isso, foi se desfazendo toda prepotência e autossuficiência. À medida que vamos deixando Jesus ser o Senhor, Ele vai exigindo mais de nós, a ponto de deixar que caminhemos sozinhos e experimentemos nossa humanidade.

Lembro-me quando a Kelly (fundadora da Comunidade) pediu para eu e meu marido darmos um testemunho sobre autoconhecimento e vida de oração. Foi uma negação! A gente havia preparado, mas, na hora não falamos nada com nada. Senti na pele que eu não era nada e nem senhora de mim, que seria necessário que eu tomasse posse dessa verdade para testemunhar. Foi quando me vi em cacos pelo chão, vi cair por terra tudo que eu havia construído. Vi desfeitos todos conceitos e preconceitos, fui despida por inteiro e deparei-me com meus pecados, minhas fraquezas, meus erros e inconstância. Deus ia me revelando a minha imaturidade, meu orgulho, meu egoísmo e falta de humildade, e pude encontrar com a misericórdia divina. Compreendi o quanto eu era necessitada da graça, do amor e da misericórdia de Deus e que minha vida só teria verdadeiro sentido quando me abandonasse por inteiro em seus braços e me deixasse ser conduzida por Ele, pois, somente Ele sabe o que é melhor para nós.

Hoje tenho buscado viver um dia de cada vez e o que me resta é um coração agradecido e desejoso de fazer com que Ele cresça e eu desapareça. Ao fazer memória de minha história, percebi que seria importante pedir perdão a Deus por tantas vezes que não deixei que Ele reinasse em minha vida; pedir perdão pelas vezes que não tive a humildade suficiente para reconhecer meus erros e imaturidade.

Hoje sinto gratidão por meus formadores na Comunidade (Fernando e Kelly), por me fazer entender que minha primeira vocação é ser esposa e mãe; gratidão por me alertar que não adiantava querer caminhar rumo ao céu sozinha, mas, sim com meu marido e meus filhos; gratidão por me exortar nos momentos oportunos; gratidão por demonstrar firmeza diante de minhas infantilidades; gratidão pelo silêncio fecundo que gerou no meu coração um profundo desejo de ser uma pessoa melhor para Deus e para os outros; gratidão pela paciência em minhas aflições e angústias; gratidão por me instigar a colocar Jesus como centro e Senhor de tudo.

Quero declarar o desejo do meu coração de poder proclamar que verdadeiramente Jesus é o Senhor da minha vida, da minha história, do meu passado, do meu presente e do meu futuro, e que seu reino nunca terá fim.


Magna Saléte

Comunidade Amigos de Jesus

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