Matrimônio, um caminho de santificação (Parte IV)

March 6, 2017

FAMÍLIAS EVANGELIZANDO FAMÍLIAS

 

     Ao vivenciar essa amizade virtuosa que aprofunda-se no relacionamento entre os cônjuges e dos cônjuges para com Deus, se eles compreendem e vivenciam a graça do poder criador na geração de filhos, em uma sexualidade equilibrada e casta, e na ajuda mútua buscam viver o sofrimento com resignação à luz de Cristo, acabam por promover uma doação não somente conjugal; acabam promovendo a doação de sua família para outras famílias. O amor conjugal e a generosa geração de filhos transformam-se em sinal para outras famílias, configurando assim um vasto campo missionário:

 

       O Concílio Vaticano II recorda-o quando escreve: “Cada família comunicará generosamente com as outras as próprias riquezas espirituais. Por isso, a família cristã, nascida de um matrimônio que é imagem e participação da aliança de amor entre Cristo e a Igreja, manifestará a todos a presença viva do Salvador no mundo e a autêntica natureza da Igreja, quer por meio do amor dos esposos, quer pela sua generosa fecundidade, unidade e fidelidade, quer pela amável cooperação de todos os seus membros”. (FAMILIARIS CONSORTIO, artigo 50, § 4)

 

       A Igreja convida as famílias a compartilharem a graça e os dons recebidos nesse caminho de santidade à outras famílias. Porém, essa “missionariedade” natural, que é fruto do testemunho de vida dessas famílias, não impede a formação de um apostolado organizado onde famílias evangelizam famílias. A união das famílias em prol da evangelização impede que se enraíze o egoísmo em uma vida familiar isolada da sociedade. Além de realçar o caráter comunitário da Igreja.

 

       Entre os frutos que maturam mediante um esforço generoso de fidelidade à lei divina, um dos mais preciosos é que os cônjuges mesmos, não raro, experimentam o desejo de comunicar a outros a sua experiência. Deste modo, resulta que vem inserir-se no vasto quadro da vocação dos leigos uma forma nova e importantíssima de apostolado, do semelhante, por parte do seu semelhante: são os próprios esposos que assim se tornam apóstolos e guias de outros esposos. Esta é, sem dúvida, entre tantas outras formas de apostolado, uma daquelas que hoje em dia se apresenta como sendo das mais oportunas. (HUMANAE VITAE, artigo 26, parágrafo único.)

 

        Essa forma de evangelização que sempre esteve presente na pastoral familiar, hoje se apresenta, de forma renovada, dentro das chamadas Novas Fundações ou Novas Comunidades. Uma nova forma de vida consagrada marcada pela presença de leigos, com forte presença das famílias. As famílias consagradas das Novas Comunidades têm desempenhado um significativo apostolado nessa área, chegando a se dispor a evangelizar além-mar.

 

       Como já no início do cristianismo Áquila e Priscila se apresentavam como casal missionário, assim hoje a Igreja testemunha a sua incessante novidade e rejuvenescimento com a presença de cônjuges e de famílias cristãs que, ao menos durante certo período de tempo, estão nas terras de missão a anunciar o Evangelho, servindo o homem com o amor de Jesus Cristo. (FAMILIARIS CONSORTIO, artigo 54, § 5)

 

       Porém, a “novidade” que as famílias das Novas Fundações apresentam nada mais é do que buscarem viver de uma forma mais fidedigna o magistério e as orientações da Igreja para as famílias. A regra de vida presente nessas fundações nada mais são do que uma reafirmação do modo de vida que todo batizado católico deveria buscar. Em tempos de uma crescente secularização da sociedade, as Novas Fundações se apresentam como um verdadeiro oásis para as famílias que possuem em seu coração o desejo da santidade.

 

Fernando Emerick

Fundador da Com. Amigos de Jesus

 

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