A Palavra se encarnou e habitou entre nós

March 20, 2017

       Caríssimos irmãos, a Comunidade Católica Amigos de Jesus tem vivido um tempo de muita graça! Há um semestre que o Senhor permitiu que enviássemos, o Leandro, membro consagrado ao celibato, para cursar Teologia na Terra Santa. Sendo assim, quis o bom Deus que no início deste ano, eu, Fernando e Thiago, meu pequeno bebê de oito meses, partíssemos em peregrinação à Terra de Jesus. Rogo a Deus que minha partilha lhe permita experimentar um pouco das alegrias de conhecer os passos do Senhor Jesus.

       Estivemos hospedados quase todo o tempo em Jerusalém, no Mosteiro Carmelitano feminino, no Monte das Oliveiras, mais precisamente, junto à Igreja do Pater Noster, local onde segundo a tradição, o Senhor teria ensinado aos seus discípulos a oração do Pai Nosso.

 

       Guardo comigo as palavras acolhedoras da Madre que nos disse: “Reservamos para vocês, o local onde acolhemos nossos familiares, porque para nós, vocês pertencem à nossa família”. Louvo a Deus pelo Carmelo, essa grande família que circunda as nossas vidas em todas as partes do mundo! Jesus é mesmo o nosso amigo!

       Durante sete dias percorremos os principais locais que narram a vida de Jesus. Belém, onde Jesus nasceu; a Galileia, onde se deu sua vida pública e Jerusalém, onde Jesus decidiu resolutamente se entregar à vontade do Pai, "dando a própria vida em resgate de muitos”. (1Jo3,16)

Penso que levarei toda a minha vida para compreender o sentido de cada lugar que passei, tamanha a riqueza e a complexidade de significados dos lugares peregrinados. A você, leitor, gostaria de destacar os lugares mais marcantes que me tocaram profundamente.

       Começamos nossa peregrinação partindo da cidade de Tiberíades seguindo rumo ao Monte das Bem-Aventuranças. Era domingo, e o Senhor nos seus cuidados nos preparou uma surpresa. O Evangelho Dominical era o das Bem-Aventuranças, e como se Ele mesmo nos desejasse boas vindas, encontramos a liturgia sendo preparada para iniciar uma missa que aconteceria a poucos minutos. Tal missa aconteceria justamente pela ocasião litúrgica citada. Apesar da missa ter sido celebrada em Árabe, sentimo-nos participantes do altar celestial, um só espírito, um só coração.

       Seguimos em direção ao Mar da Galileia, chegando em Cafarnaum. Encontramos a casa de Pedro onde, certa vez, Jesus curou sua sogra. Vimos a Sinagoga, onde muitas vezes Jesus pregou. Dali partimos até o local onde o Senhor teria multiplicado os pães e os peixes e, mais adiante, encontramos o Primado de Pedro, onde por três vezes Jesus o perguntou “Pedro, tu me amas?” (Jo21,15-17)

Tais lugares encontram-se praticamente à beira mar, lugar onde me sentei e desejei passar o resto daquela tarde se isso me fosse possível. Senti-me tão perto de Jesus que tive a impressão que, se ficasse ali mais um tempo, ele chegaria, acenderia uma fogueira e prepararia um peixe para cear comigo.

       No dia seguinte, mais uma bela experiência, um passeio de barco no Mar da Galileia. Durante o passeio, estive a pensar quantas vezes o Senhor esteve ali, exausto depois de uma missão, às vezes dormindo sobre um travesseiro, à proa do barco, como nos relata o evangelista Marcos, outras vezes aproveitando a intimidade com os discípulos para ensiná-los “a serem pescadores de homens.” (Lc 5,8-10)

       Os dias seguiram e partimos para a Basílica da Anunciação em Nazaré. Grande foi minha comoção ao entrar na Igreja onde o Anjo do Senhor anunciou a Maria que ela seria a “Mãe do Salvador”. Participamos de uma missa junto a poucas pessoas, a única em português, celebrada pelo padre brasileiro Alexandre Paccioli. Providencialmente, pude ouvir o Evangelho na minha língua onde o Senhor permitiu que eu experimentasse a eficácia da sua palavra. Naquele momento, as palavras saltaram da Bíblia e atingiram em cheio o meu coração. Senti que “a palavra era viva e eficaz”, que verdadeiramente “o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Desmanchei-me em lágrimas. Como a palavra de Deus é atual!

       No dia seguinte, fomos para a cidade de Belém. Para lá, não fui somente com os meus companheiros de viagem. Levava também inúmeros amigos, familiares e todos que haviam me pedido que eu rezasse por eles, quando chegasse na cidade natal de Jesus. Ali pudemos sentir a alegria do cumprimento da promessa do Pai para a humanidade. Visitamos a Gruta do Leite, local que, segundo a tradição, Maria teria amamentado o menino Deus. Muitos milagres são alcançados nesse lugar, por isso, rezei ali por todas as mães que desejam amamentar e não conseguem e pelas mulheres que desejam ser mães e não conseguem.

       Partimos no dia seguinte para a cidade de Ein Karen, na bíblia referida como a cidade de Judá citada em Luc 1, 39, uma cidade montanhosa como nos relata as escrituras. Dirigi-me para lá meditando no jeito de ser de Maria. Bastou saber da gravidez da sua prima Isabel, para não medir esforços. A verdade é que, mesmo sendo a “Mãe de Deus”, mesmo estando grávida de poucos meses, não se envaideceu, nem guardou para si aquele tempo de graça, pelo contrário, saiu à serviço. A distância percorrida por ela segundo historiadores foi de aproximadamente 150 km; Caminho esse que, provavelmente, tenha feito a pé ou sobre algum animal. Quanta honra, quanto espírito servil!

Entramos, enfim, em Jerusalém, apesar de termos ficado alojados no Monte das Oliveiras, só então seguimos refazendo os passos de Jesus, percorrendo a Via Sacra e os lugares marcantes da Paixão, Crucificação e Morte de Nosso Senhor. Percorremos o Jardim do Horto das Oliveiras. Junto àquelas velhas oliveiras, que pareciam nos dizer: “O Senhor esteve entre nós, com muita angústia vimos aproximar sua hora! ”

 

       Seguimos em direção à Igreja do Galicanto; Lugar que era a casa de Caifás, onde Jesus foi mantido preso até o dia seguinte, quando foi levado à Pilatos. Descemos então até o local de sua prisão, ao adentrar-me naquele calabouço, fui tomada de profunda comoção e dizia interiormente para o Senhor: Perdão Senhor, quantas vezes te deixei só! Quantas vezes te neguei como o teu discípulo Pedro!

       Saindo dali percorremos os passos do Senhor até a Basílica do Santo Sepulcro. Já na entrada, uma surpresa aos meus olhos: “A Pedra da Unção”, pedra onde colocaram o corpo após a sua Morte para lhe cingir e preparar para o sepultamento. Caminhamos mais um pouco e chegamos no local chamado Calvário, onde foi levantada a Cruz do Senhor e, por fim, o Santo Sepulcro, local que Jesus foi colocado após sua morte. É interessante entrar no Santo Sepulcro, pois, o coração é tomado de uma Paz Inquieta, sabemos que ele não está ali, ressuscitou, mas, queremos entrar como fez Pedro e João e constatar que ele ressuscitou! Na verdade entramos porque queremos vê-lo!

       Saí dessa experiência muito agradecida por ser cristã e por ser católica. Quanta riqueza, quanta profundidade! O Mistério da nossa fé se revela em cada parte. O tempo torna-se voraz diante de tanto esplendor!

       Depois desses acontecimentos e experiência, já não procuramos mais nada. No Santo Sepulcro encerra-se todo o Mistério de nossa fé. Saí dali pronta para voltar para casa, uma vez que não me interessava ver mais nada. Não há ponto turístico que possa nos atrair mais do que estar naquele lugar. Rogo a Deus que um dia todos aqueles que lerem esse testemunho possam alcançar a graça que eu alcancei. Peregrinar na Terra Santa! Que essa partilha faça render em seus corações um amor ainda maior pelo nosso Senhor, que possamos amá-lo mais e melhor. E que tenhamos no nosso coração a certeza que todo o resto não é nada diante de um Deus que é tudo.

Fraternalmente,

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

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