Mês de Abril da Missão Terra Santa

May 5, 2017

       Em abril, celebramos a data mais importante para um cristão, a Semana Santa culminada na Vigília Pascal. Neste artigo irei compartilhar com vocês como foi viver esse tempo de graça aqui na Terra Santa.

       Em 2012, eu havia vivido a Semana Santa aqui, em Jerusalém, porém, este ano foi muito diferente e muito especial! Pude viver cada momento de forma mais intensa. Este ano, diversamente do ano de 2012, a data de Páscoa coincidiu com a Páscoa da Igreja Ortodoxa e a Páscoa dos judeus, por isso, Jerusalém estava com uma grande quantidade de peregrinos. 

       A Semana Santa começou no sábado, nas Vésperas do Domingo de Ramos. Eu moro no condomínio de Bethfagé, onde se inicia a festa de Ramos, por isso, todo o condomínio estava em festa. No domingo à tarde, cristãos do mundo inteiro, se reuniram junto com o Patriarca da Terra Santa, na Igreja de Bethfagé para iniciarmos a procissão até a cidade antiga de Jerusalém. Essa foi uma experiência muito marcante! Saímos pelas ruas de Jerusalém cantando “Hosana nas alturas” e glorificando Nosso Senhor, cada grupo em sua língua, desde americanos à japoneses, com tambores, violões e outros instrumentos musicais.

       Chegando na cidade antiga de Jerusalém, ou seja, dentro das muralhas, o Patriarca da Terra Santa fez um discurso de abertura da Semana Santa. Esse foi um dia de festa!

       Na segunda-feira, todos os católicos se encontraram em Betânia, na casa dos Amigos de Jesus (Lázaro, Maria e Martha), para a Santa Missa da Unção de Betânia: “Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia [...]. Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas” (Jo 12, 1-2). Nessa celebração, o Custódio da Terra Santa abençoou óleos de nardo que seriam distribuídos em todas as igrejas de Jerusalém, para serem usados na unção do crucifixo na Adoração da Santa Cruz, durante a sexta-feira da Paixão. Tal ação é em referência ao que disse Jesus: “Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura” (Jo 12, 7). Depois da Santa Missa, a Igreja de Betânia ofereceu um jantar muito especial a todos que estavam presentes. Foi um momento muito significativo!

       Na terça-feira fui à missa na Basílica do Santo Sepulcro, tratava-se de uma celebração com um caráter todo especial, onde o evangelho consistia na proclamação da Paixão de Cristo segundo São Marcos.

       Na quarta-feira, nos reunimos para a Santa Missa na Basílica do Getsemani com a proclamação da Paixão de Cristo segundo São Lucas. Dessa celebração, todos fomos em peregrinação até o Santo Sepulcro, para a veneração da Coluna da flagelação de Jesus.

       Na quinta-feira santa fizemos uma peregrinação pela cidade antiga de Jerusalém, saindo da Porta Nova, indo em direção a Porta de Sião, até o Cenáculo, onde Jesus celebrou a Última Ceia com os discípulos. Em seguida, visitamos a Igreja de São Tiago e a Igreja de São Marcos (onde segundo a tradição seria o local da casa da família de Marcos). Após essa peregrinação, fui para a Igreja de São Pedro em Gallicantu, onde seria a casa de Caifás, o sumo sacerdote. Nessa igreja celebramos a Santa Missa da Ceia do Senhor. O santuário é dividido em três andares, o primeiro é dedicado a Última Ceia, o segundo (subterrâneo) a negação de Pedro e o terceiro andar subterrâneo é dedicado a prisão onde Jesus ficou antes de ser conduzido a Pôncio Pilatos.

       Depois da Santa Missa da Ceia do Senhor, fomos para o Getsemani, onde ficamos em adoração. Do Getsemani fomos em procissão, com velas e tochas até a casa de Caifás (Igreja de São Pedro em Gallicantu). Na igreja, todos rezavam em silêncio. Quando voltei para casa já era madrugada.

       Durante essa procissão do Getsemani à Igreja de São Pedro em Gallicantu, passamos em frente à entrada para o Muro das Lamentações, porque esse era o único caminho. De um lado da rua estávamos nós, os cristãos da Terra Santa, e do outro lado, os judeus, celebrando a festa dos pães ázimos. Foi muito emocionante! Eu via, nitidamente, o Antigo e o Novo Testamento andando lado a lado.

       Na sexta-feira, participei da celebração da Paixão de Cristo no Monte Calvário (Basílica do Santo Sepulcro) e o rito da Adoração da Santa Cruz foi diante das relíquias da Cruz de Cristo. Ao meio-dia, participamos da via sacra. Durante a noite, na Basílica do Santo Sepulcro, todos os cristãos se reuniram para a Procissão Fúnebre. Trata-se da via sacra realizada dentro da Basílica e com uma tradição medieval.

       No Sábado Santo, todos esperávamos os sinos da Basílica do Santo Sepulcro tocarem, anunciando a Ressurreição de Cristo. Nesse dia, eu participei da Vigília Pascal com as irmãs carmelitas de Jerusalém.

       No Domingo de Páscoa, todos os católicos se reuniram na Basílica do Santo Sepulcro para a Santa Missa da Páscoa do Senhor. A celebração terminava com uma procissão em torno ao túmulo de Cristo. A cidade de Jerusalém estava em festa novamente e todos anunciavam: “O Cristo Ressuscitou... Ele verdadeiramente ressuscitou! ”

       Na segunda-feira depois da Páscoa, nos reunimos no pequeno vilarejo de Emaús. Durante todo o dia, a igreja do local celebra essa grande festa da Ressurreição. É com toda essa alegria que emana do anúncio da Ressurreição que começamos a viver o Tempo Pascal aqui em Jerusalém.

       Penso que o mais emocionante de viver a Semana Santa aqui, além de celebrarmos nos locais apresentados na liturgia, é poder viver essa unidade e fé da Igreja, em que faz da cidade de Jerusalém uma grande celebração do mistério Pascal. Toda a cidade é contagiada com essas festividades, não me refiro só aos cristãos, mas, literalmente, toda a cidade, tanto judeus, quanto muçulmanos. Todos presenciam essa alegria da Ressurreição vivida por cada um de nós. Isso é um grande testemunho que Cristo vive no nosso meio!

Leandro Perpétuo

Com. Amigos de Jesus

Missão Terra Santa

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