O Mistério Divino e Humano da Maternidade (Introdução)

June 9, 2017

        A figura feminina historicamente sempre esteve associada à vocação da maternidade sendo esta parte constitutiva da sua identidade feminina. Porém, nos tempos atuais a opção de ser mãe não constitui uma realidade aceitável para todas as mulheres. Com a inserção da mulher em outras dimensões da vida que também lhe proporcionam satisfaço, como nos campos profissional, político e acadêmico, ganham força os discursos que questionam esta parte da identidade feminina. Algumas refutam a ideia por verem nessa associação mulher – maternidade, sinônimos de sacrifício, abnegação, renúncia a seus próprios desejos e projetos de vida.                                                           

       Almeja-se com o presente estudo apresentar a maternidade sobre uma nova ótica, com o objetivo de se fazer compreender que muito mais do que questões fisiológicas e psicológicas que envolvem o ato de gerar, a maternidade na vida da mulher tem uma dimensão antropológica e teológica que englobam os aspectos humanos e divinos. A figura de Deus Pai apresenta-se como fonte e origem da maternidade que é amor em primeiro lugar:

       Ao designar Deus com o nome de “Pai”, a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade, que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura, transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas, sem deixar de ser de ambas a origem e a medida.

       Tal linguagem nem sempre é de fácil compreensão para o homem. Apesar de ter sido chamado pelo próprio Deus para tornar-se o seu cooperador, tal missão torna-se muito difícil quando o homem não consegue expressar esse amor. Talvez isso se dê, em parte, pelas inúmeras experiências negativas que o homem carrega na sua própria história desde sua gestação. Ora, se a criatura humana não se sente amada no seio materno, poderá ela compreender que Deus a ama desde o ventre de sua mãe?

Deus que é a fonte genuína desse amor no anseio de que compreendêssemos o amor na sua totalidade quis dar provas dele de forma concreta, para que ficasse claro para o homem, que ele não põe limites para amar a criatura. Sendo assim, quis Deus na sua bondade oferecer na pessoa da Virgem Maria a personificação desse amor maternal. “Finalmente, por Maria, o Espírito começa a pôr em comunhão com Cristo os homens, que são objeto do amor benevolente de Deus”.

       Partindo desse princípio podemos compreender o mistério profundo que envolve o ser humano na capacidade de gerar uma vida, de uma maneira especial foi dado à mulher o dom da maternidade através da qual ela é chamada a participar do amor criador de Deus expressando com o próprio corpo a bondade infinita de Deus. Dessa forma, para compreender o Mistério Humano e Divino da Maternidade, nada mais favorável do que uma investigação aprofundada do tema, a fim de que se possa explicar o sentido duplo e ao mesmo tempo singular de ser mãe.

       O trabalho deseja resgatar o papel da mulher no contexto familiar e social baseado especialmente no seu chamado a viver a maternidade como dom e vocação. Partiremos do principio que a realização da mulher se dá por completo principalmente através da maternidade, lugar privilegiado de cooperação com Deus no ato da criação e de encontro consigo mesmo.

       Será feita uma descrição da maternidade encontrada em Deus e estendida na pessoa de Jesus através do seu ato redentor. Deus quis que o homem tivesse total compreensão desse amor e por isso o personifica através da humanidade de Maria. O verbo de Deus encarnado torna- se o Deus conosco, Emanuel e usa da figura de uma mulher, expressão máxima de feminilidade, para se tornar palpável à humanidade. Maria é a figura visível da Maternidade de Deus e é através dela que poderemos compreender o chamado de cada mulher ao dom da maternidade e os aspectos humanos e divinos que a envolvem. 

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

 

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