O Mistério Divino e Humano da Maternidade (Parte IV)

August 29, 2017

A Maternidade: Aspectos Humanos – Parte A

 

       Ao longo da história, a maternidade sempre foi considerada como um valor social inseparável à condição da identidade feminina. De acordo com L. Scavone, escolher ser ou não mãe, é um fenômeno moderno e contemporâneo, que foi se consolidando no decorrer do século XX. No entanto, a maternidade ainda é afirmada e sentida fortemente na cultura e associada à identidade feminina pela sua ligação ao corpo e com a natureza. A concepção da maternidade como algo inerente à natureza feminina, ainda se faz presente nas representações de grande parte das mulheres, sejam elas mães ou não-mães, levando-as a desejar predominantemente ter filhos, ainda que tal projeto possa ser temporariamente adiado e conviva com outros projetos individuais associados à realização pessoal e profissional.

       Porém, encontramos na literatura vários autores como Conceição Nogueira; M. L. Rocha-Coutinho, e Marlene Neves Strey; que alegando defender os direitos da mulher, referem-se à maternidade como algo próprio de uma sociedade patriarcal-dominadora e opressora. Encontramos todo um discurso feminista afirmando que, a mulher sempre foi dominada por mitos e imposições e que a maternidade seria algo imposto pela sociedade machista.

Não podemos negar que, em muitos aspectos, a mulher sofreu e ainda sofre discriminação e maus tratos nos tempos atuais, tendo a sociedade um longo caminho a percorrer para chegarmos a uma justa valorização da dignidade da mulher. Porém, a maternidade não deve ser vista como fruto de um sistema opressor, uma vez que ela é uma experiência fundamental ao sentimento de plenitude das mulheres.

       Tal afirmação confirma-se baseada em muitos relatos de mulheres que sofrem a frustação por não terem se tornado mães. Nos casos onde por questões profissionais, a mulher abdicou temporariamente ou definitivamente da função de ser mãe, constatou-se que a profissão não conseguiu substituir a maternidade em sua totalidade (Segundo pesquisa de L.N Smeha e L.O Calvari). Estudos realizados confirmaram que a maternidade é um momento único, um marco essencial na vida da mulher, enquanto muitos a consideram apenas como um mandato social, outros concluem que o seu cumprimento leva ao reconhecimento pessoal e à elevação da auto-estima (Segundo Daniela B. L. Souza & Matia Cristina Ferreira):

       Podemos encontrar na literatura relatos onde a mulher pode ser esquadrada em dois modelos femininos: a primeira, que apresenta o padrão tradicional de boa mãe, que prioriza as relações familiares e por ela renuncia outras atividades extra domésticas e o de mulher independente que não abre mão da vida profissional. Nesse segundo perfil de mulher, enquadram-se aquelas que escolheram entre ser ou não mãe. Em ambos os casos, percebeu-se que é consenso entre elas que a concepção da maternidade faz parte da essência da condição feminina.

       Para Maldonado (1989), o desejo de dar à luz uma vida alia-se à sensação de ter capacidade de produzir, fazer coisas boas, criar, amar, ser fecunda. De fato, o ato de gerar e dar à luz a uma nova vida produz na mulher um sentimento indescritível de poder e ao mesmo tempo de gratidão por compreender que nada depende dela, uma vez que a maternidade é um dom.

       O processo de construção da maternidade, inicia-se bem antes da gestação propriamente dita e prolonga-se após o nascimento. Durante o período gestacional e, de uma maneira especial, no ato da concepção, inaugura-se a vivência de uma maternidade ativa, quando o bebê passa de fato a existir. A gestação não pode ser entendida como um período menor, somente de preparação para o exercício da maternidade. Ela é uma etapa importante de constituição de novos vínculos entre a mãe e o filho, cujo ápice, será alcançado após o parto, momento do nascimento da criança.

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

 

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