Sagrada Escritura, essa História faz parte de mim

A Palavra de Deus deve estar sempre presente na vida de todo cristão. Sei que nem sempre conseguimos lê-la com prazer ou compreendê-la de modo correto. Alguns a usam como que para acusar os outros e se comportam como verdadeiros fariseus, outros a acham antiquada. No entanto, devemos cultivar o amor pela Palavra de Deus como um guia que traz presente a nossa história de Salvação.

Quando eu fiz minha experiência de “Ser Igreja”, a primeira coisa que comecei a fazer foi ler a Bíblia. Porém, eu não sabia como começar, então, comecei a ler as leituras que a Liturgia da Santa Missa nos oferece para cada dia do ano. A cada dia, eu via a minha vida sendo interpretada por aquelas leituras. No início, temos a presunção de que somos nós que interpretamos as leituras, mas na verdade, são as leituras que nos ensinam e que nos falam sobre nossas vidas. Antes de começar a estudar a Palavra de Deus, eu comecei a criar um laço de amizade com ela. Então, para poder amá-la mais, comecei a estudá-la.

No meu primeiro ano na Comunidade Amigos de Jesus, comecei a fazer o Estudo Bíblico que a Comunidade oferece para o público. Na época, a Comunidade ministrava o curso em Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo. Eu participava do curso em Timóteo. A partir de então, eu comecei a gostar tanto de estudar as Escrituras que eu acho que já fiz o curso mais de duas vezes.

Esse amor pela Palavra de Deus só cresceu em meu coração e comecei a ver nas Escrituras um modo de ouvir a Deus. Como já partilhei em outros artigos, eu sempre fui muito racional, e Deus sempre usou muita pedagogia comigo e a Palavra de Deus foi a porta para que eu pudesse crescer na intimidade com Cristo. Ele sempre falava comigo através das Escrituras e assim, elas se tornaram para mim, verdadeiramente, Palavra de Deus. Este é o verdadeiro sentido da Bíblia.

Em 2012, morei três meses na Terra Santa, visitei os locais santos e pude ter o contato muito mais direto com a Bíblia nas terras onde a história da Salvação começou a ser escrita no coração do povo de Deus.

Pude peregrinar pela descida de Jerusalém para Jericó, como fala na parábola do Bom Samaritano, pude subir a Jerusalém, como canta o salmista. Pude navegar no mar da Galileia como os apóstolos, perceber a diferença entre o joio e o trigo, sentir o perfume de nardo e, o mais marcante, conhecer o Santo Sepulcro. São realidades que mudaram completamente meu modo de ler as Escrituras, porque pude ver com os meus olhos os locais que nela são narrados.


Depois de tudo isso que vivi, pude compreender e adotar para minha vida um conceito novo sobre a Bíblia e a Terra Santa, “o quinto evangelho”. São Jerônimo, já no quarto século, denominava a Terra Santa como o quinto evangelho, mesma expressão adotada pelos Padres Sinodais na Exortação Apostólica Dei Verbum sobre a Revelação Divina. Papa Bento XVI, depois de sua peregrinação para Terra Santa, explica esse conceito novo, dado à Terra Santa ao longo de muitos séculos:

“A Terra Santa foi chamada de “quinto Evangelho”, porque nela podemos ver e tocar a realidade da história que Deus realizou com os homens, começando com os lugares da vida de Abraão até os lugares da vida de Jesus, desde a encarnação até o túmulo vazio, sinal de uma ressurreição.” (Papa Bento XVI)

Algo que aprendi com tudo isso, é que a Bíblia faz parte de nossa vida. Por isso, hoje tratamos não só sobre a História da Salvação apresentada na Sagrada Escritura, mas também sobre a Economia da Salvação, ou seja, essa história salvífica que vai além do que está escrito na Bíblia, tratando de uma revelação, de ações e palavras, realizada por Deus com a Humanidade no hoje, de modo a confirmar aquilo que foi revelado por Deus nas Escrituras, afinal Deus continua essa relação com o seu povo.

Podemos, portanto, dizer que o quinto evangelho também está presente no coração de cada um de nós, não porque trata dos locais em que Jesus morou há dois mil anos, mas, porque o nosso coração é o local onde o nosso sim tende a perpetuar a vida evangélica anunciada por Cristo.

A Palavra de Deus nunca será antiquada ou nunca deverá ser lida ou estudada como se estuda a História do Brasil ou História em geral, mas, como parte de nós, como um avô conta a história de sua família para seus netos. A Economia da Salvação se inicia com a Criação do Mundo, passa pela eleição de um povo da parte de Deus, anuncia uma Salvação concretizada com a Encarnação, morte e ressurreição de Cristo e perpetuada pela Igreja atingindo a vida de cada um de nós batizados. Somos nós, esse povo escolhido por Deus, somos nós que recebemos o dom da Salvação por Cristo e, por fim, somos nós que devemos acolher toda essa história em nosso coração. No entanto, precisamos de um guia que nos ajude a peregrinar, descobrir e discernir essa Economia da Salvação revelada por Deus a seus filhos.

O tempo de começarmos a conhecer a Palavra de Deus é, e sempre será, hoje e agora. Por isso, quero fazer alguns convites para você. Venha fazer o Estudo Bíblico conosco da Comunidade Amigos de Jesus ministrado toda segunda-feira na Casa de Missão da Comunidade em Ipatinga-MG. Caso você já o faça, ou já tenha feito um Estudo Bíblico antes, te convido a dar um passo a mais e investir no conhecimento da Sagrada Escritura, venha peregrinar conosco para Terra Santa. Todo ano realizamos peregrinações para os locais santos, programe-se e venha conhecer esse quinto evangelho de que trata a Igreja. Priorize esse sonho, pois, os benefícios serão muito maiores que um carro novo ou algo do tipo.

Enfim, não importa como ou onde, acolha essa Economia da Salvação na sua vida, seja íntimo da Palavra de Deus, cresça nessa intimidade e assuma a Bíblia como o livro da história da SUA Salvação, porque Deus continua a falar através da Sagrada Escritura.

Leandro Perpétuo

Com. Amigos de Jesus

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