O Mistério Divino e Humano da Maternidade (Parte V)

A Maternidade: Aspectos Humanos – Parte B



O tempo da gestação é, sem dúvida, um momento ímpar na vida da mulher. Caracteriza-se, principalmente, pelo crescimento pessoal, pelo surgimento de nova vida, que dará um novo sentido para a vida da mulher e de nova estrutura de relacionamento. Mesmo que a mulher viva muitas vezes a experiência da maternidade, cada gestação torna-se um tempo novo e singular, onde a díade mãe e filho vivem a relação afetiva e amorosa que se funde em um único amor.

Esse vínculo tende a perdurar por toda a vida e a cada etapa desse relacionamento de mãe e filho surgem novas experiências, os momentos de afetividade vividos entre eles marcam o relacionamento de forma profunda e duradoura. As experiências afetivas vivenciadas pelo filho em relação à sua mãe determinarão grande parte de sua personalidade, afetividade e relacionamentos sociais. A relação da mãe com o bebê, em especial, é fundamental na construção de um desenvolvimento psicológico e social saudável, além de contribuir para a formação dos relacionamentos posteriores.

Sendo assim, podemos compreender a grande importância da presença da mãe na vida do filho, principalmente, nos primeiros anos de sua vida. Sabemos que uma criança que cresce recebendo de perto a atenção e o carinho de sua mãe, torna-se um adulto com uma afetividade mais equilibrada e terá mais facilidade para resolver questões pessoais porque será uma pessoa mais segura de si mesmo.

Cabe, também, abordar que o equilíbrio afetivo e emocional da criança é conquistado, também, através da figura paterna. A presença masculina da vida do filho é extremamente importante na construção da sua afetividade e sexualidade. Ele não somente será uma referência na vida dessa criança como, também, é ele quem dará à mãe o suporte emocional que ela tanto necessita para enfrentar os desafios da maternidade.

Se a experiência do tornar-se mãe é por demais inusitado para a mulher, quanto mais para o homem que recebera a notícia que será pai. Esse não sentirá as mudanças fisiológicas que ocorrem na mulher. Nesse momento da vida do casal, é extremamente importante que aconteça uma maior aproximação, para que também o homem consiga experimentar a alegria da gestação.

“O amor à esposa tornada mãe e o amor aos filhos são para o homem o caminho natural para a compreensão e realização da paternidade. De modo especial onde as condições sociais e culturais constringem facilmente o pai a um certo desinteresse em relação à família ou de qualquer forma a uma menor presença na obra educativa, é necessário ser-se solícito para que se recupere socialmente a convicção de que o lugar e a tarefa do pai na e pela família são de importância única e insubstituível” (Exortação Apostólica Familiaris Consortio).

Podemos afirmar que a paternidade no homem nasce da maternidade da mulher. Para que o homem faça a experiência da maternidade, é necessário que, também, ele sinta que está gestando. Tal experiência não afeta em nada sua masculinidade, ao contrário, instiga nele o papel de protetor e o senso de responsabilidade por aquela nova vida que virá ao mundo. Por isso, é necessário que a mãe o incentive a participar de todas as fases deste novo tempo, desde a participação nos acompanhamentos médicos de pré-natal, nos exames ultrassonográficos, na escolha do nome e, principalmente, que ele possa estar presente na hora do parto. O nascimento da criança, é o momento ápice, onde o homem fará a grande experiência da paternidade. Agora, ele pode tocar nessa nova vida e sentir que é parte dela.

Sabemos que a ausência do pai provoca desequilíbrios psicológicos e morais, e dificuldades notáveis nas relações familiares. Por isso, a presença paterna nos primeiros dias após o parto, será de grande ajuda para a mulher. Ela agora passa por um período de cansaço ao extremo e grandes adaptações nessa nova fase de sua vida. A figura masculina na vida da criança e da mãe garantirá a ambas o sentimento de segurança e proteção. Isso favorecerá o desenvolvimento harmônico das etapas que seguirão.

Ainda que as configurações familiares estejam passando por diversas transformações no mundo contemporâneo, é na família constituída pelo pai e pela mãe que os filhos crescerão sentindo-se seguros e felizes. Aprenderão através do amor firme e estável do pai e pelo amor terno e incondicional da mãe a reconhecer a presença viva e palpável do amor de Deus.

Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

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