Família moderna, família santa!

November 8, 2017

       Quando eu era solteira e esperava por meu esposo, sonhava com um casamento perfeito. Imaginava uma família que fosse certinha. Onde eu e meu futuro esposo concordássemos em tudo e os meus filhos fossem perfeitos.

       Essa espera por meu futuro esposo, durou bons e longos anos, e um dia escutei de minha formadora: “Sabe por que Deus ainda não enviou o seu esposo? Porque se Ele o enviasse hoje, você o perderia, é muito mimada e imatura”. Naquele momento senti raiva por ter escutado aquilo. Num primeiro instante, raiva da pessoa que o disse, porque no meu ponto de vista, eu me considerava uma pessoa “certinha”. Num segundo momento, (beeeemmmm distante do primeiro), senti raiva por não ser uma pessoa convertida. De fato, eu era mimada, emburrada e imatura!

       Louvado seja Deus por aquelas palavras! Aquela exortação me fez desejar ser melhor, desejar me preparar para receber meu futuro esposo. Na verdade, eu sonhava com uma família perfeita, mas, comecei a compreender que não é a perfeição que devemos buscar (perfeição essa no sentido de não errar), mas, deveríamos buscar a santidade, o desejo de ser e estar com Deus, apesar dos erros que vamos cometendo. A perfeição poderia gerar um certo orgulho, uma vaidade, já a santidade passa por amar a Deus acima de todas as coisas, de desejar a sua amizade, de querer agradá-Lo, de fazer as coisas diárias para louvá-Lo e agradecê-Lo!

       Entendi, que eu não deveria esperar que minha família fosse perfeita, mas, eu deveria preparar-me para ser santa, caminhar com meu futuro esposo e filhos com o desejo do Céu! Confesso que não sei medir o quão longe estou de ser santa, ou do meu casamento ser santo, mas, a compreensão e o desejo de ser melhor para Deus, reina em meu coração e no coração do meu esposo.

       Casei-me há 3 anos. Amo meu esposo. Ele é meu companheiro, meu irmão, meu melhor amigo; É um presente de Deus em minha vida. Em sua simplicidade, me ensina como ser melhor, diariamente. Ele me mostra quem eu realmente sou, com minhas mazelas e misérias, mas, também com os dons que o Senhor me deu.

       Juntos, caminhamos tentando e desejando formar a família que o Senhor sonha para nós. Caminhamos na Comunidade Amigos de Jesus, rumo a nossa Consagração definitiva ao Carisma e lá, através das formações, acompanhamentos e testemunhos dos nossos irmãos, vamos curando nossos corações, entendendo mais a vontade de Deus, e conformando nossas vidas à vontade do Senhor.

       Nestes poucos anos de casados já vivemos algumas coisas, dificuldades como: enfermidades, desemprego, imaturidades... E grandes alegrias como a de termos filhos. Temos 5. Isto mesmo! Não somos pais de gêmeos não, rs... Quatro dessas crianças já estão com Deus, e são nossos intercessores no céu. Com eles, começamos a compreender que a felicidade verdadeira consiste em estar com Deus. A quinta criança está sendo gestada neste momento, e já tem nos ensinado que devemos esperar em Deus e que o Senhor sempre tem e faz o melhor para nós. Nossos filhos nos ajudam a buscarmos a santidade no matrimônio. Foi com grande alegria que celebramos o dia 01 de novembro, o Dia de Todos os Santos, na certeza, de que uma parte de nossa família já está no céu.

       Mas, como buscamos a santidade em nosso matrimônio? Procurando amar a Deus e permitindo que Ele reine em nossa casa, em nosso cotidiano e em nossos corações. Não fazemos nada de extraordinário, mas, buscamos agradá-Lo nas pequenas coisas do nosso dia a dia. Estamos aprendendo isso com um casal muito amigo e acolhedor: São Luís e Santa Zélia, os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus. Ao lermos a história da família deles, entendemos que é possível ser uma família santa em nosso tempo, entendemos que a santidade é um desejo de estar em comunhão com Deus. A santidade é ter um encontro com o Senhor, diariamente, no comum de nossas vidas: no trabalho, nos momentos com as crianças, com os que convivem conosco, buscando zelo na vida de oração e na comunhão com a Igreja.

 

       A Família Martin tinha alguns princípios que os fizeram alcançar o céu, a santidade no matrimônio, alguns como: a Primazia de Deus e Deus, o primeiro a ser servido.

       Quando falamos dos santos, imaginamos qualquer coisa que seja extremamente difícil e custosa de se viver, algo inalcançável para “meros mortais”. Imaginamos que aqueles que a Igreja considera como santos, foram pessoas predestinadas, que receberam graças extraordinárias, especiais e únicas. Quando olhamos para a família Martin compreendemos que a santidade, e aqui em especial, a santidade no matrimônio, é uma graça concedida por Deus, mas, que passa pelo esforço humano em querer ser melhor para o Senhor, diariamente.

       Os Martin, santificavam seus trabalhos, tanto Luís quanto Zélia, tinham um coração largo para com o próximo, seja esse próximo um familiar ou amigo, seja o próximo, um desconhecido. Tinham zelo pelos sacramentos, incentivavam a piedade dos filhos. Priorizam a educação dos filhos, conheciam profundamente a personalidade de cada um e procuravam formá-los para o céu. Lidavam com a morte e a enfermidade com dor, mas não com tristeza, porque tinham um olhar voltado ao céu. Eram abertos à vida em todos os aspectos e na sua essência.

       Não preciso demorar-me em discutirmos sobre todos os ataques que a família tem recebido. Vemos nos jornais e acompanhamos nas redes sociais. Os casais precisam viver a essência do matrimônio, sinalizarem para o mundo que é possível. É possível o quê, ser santo? É possível viver em família como deve ser vivido. E no cotidiano de nossos lares vivermos uma amizade com o Senhor, na certeza de que o nosso(a) esposo (a) e nossos filhos, sejam eles biológicos, do coração, nascidos ou já com o Senhor, são a ajuda oportuna que o Senhor nos deu para alcançarmos o céu, para vivermos a santidade.

       Louve a Deus pelo seu matrimônio! Louve a Deus pelos os que Ele lhe confiou! Deseje hoje ser melhor juntamente com os seus familiares. Entregue seu matrimônio ao Senhor, com suas dificuldades e vitórias, consagre-os e vamos juntos, como família, sinalizar para o mundo, que é possível, sim, vivermos a santidade no matrimônio!

       São Luís e Santa Zélia, ajudai-nos e rogai por nós!

Shirley Siqueira Leal

Missionária da Comunidade Amigos de Jesus

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