Ele verdadeiramente Ressuscitou!

April 11, 2018

       Na segunda-feira após o domingo de Páscoa, a Igreja em Jerusalém se dirige em peregrinação para o antigo vilarejo de Emaús. Na realidade, não sabemos dizer exatamente onde esse vilarejo se encontra, e por isso, os arqueólogos se dividem em 3 opiniões: as cidades de Abu Gosh, Qubeibeh e Nicópolis. A primeira opção é a menos provável entre os estudiosos; na segunda, porém, temos um Convento Franciscano construído sobre uma Igreja do tempo dos cruzados (Sec. XII). A terceira opção é uma descoberta mais recente, no entanto, com os trabalhos arqueológicos, foram encontrados uma Catedral do Século IV com um batistério e túmulos do I Século, comprovando que a cidade era habitada desde este período. Contudo, existem ainda questões históricas a serem respondidas. Sendo assim, a peregrinação a Emaús se divide em dois grupos, aqueles que celebram em Emaús-Qubeibeh e aqueles que celebram em Emaús-Nicópolis.

       Por dois anos, durante essa data, eu participei da celebração à Emaús-Qubeibeh. Este ano, porém, decidi ir à Emaús-Nicópolis. Foi uma experiência muito boa! Aqueles que prepararam a celebração à Emaús-Nicópolis, organizaram também uma caminhada até essa Igreja. Apesar do local ser de fácil acesso, essa caminhada passa em meio às florestas e montanhas; é uma verdadeira trilha! A paisagem é perfeita em um longo e cansativo caminho de 35 km, mas, a experiência é única. Durante a trilha, rezamos e nos conhecemos uns aos outros, estávamos em 18 nacionalidades diferentes, o que enriqueceu ainda mais nossas experiências.

       Gostaria, portanto, que refletíssemos um pouco sobre essa passagem do evangelho de Lc 24, 13-35. Rogo a Deus, que esse caminho de Emaús seja, também, o nosso caminho durante o tempo pascal que se inicia.

       Os discípulos de Emaús já tinham escutado o anúncio da Ressurreição de Cristo, porém, após ter escutado tal anúncio, eles preferiram voltar para sua cidadezinha e continuar suas vidas. Eles conviveram com Jesus, ouviram suas palavras, viram suas obras, porém, não acreditaram na sua Ressurreição. Eles estavam tristes, como que decepcionados e discutiam pelo caminho sobre o passado, possivelmente, com julgamentos racionais sobre o evento da Paixão-Ressurreição e um saudosismo das experiências por eles vividas que acabaram cegando suas vistas e impedindo de ver a luz do Ressuscitado.

       Quantas vezes nós olhamos para trás, para nossas experiências com Deus, somente com um saudosismo que, apesar de agradecermos a Deus por essas experiências, nos faz caminhar de “cabeça baixa” como que desacreditando no futuro. Porém, Cristo Ressuscitado é o Deus do nosso passado, presente e futuro, é o Deus vivo do nosso impossível. As experiências passadas devem reafirmar nossa fé e a vivência do presente reavivar nosso futuro. Por isso, nunca devemos deixar de sonhar os sonhos de Deus e, lutar e rezar para que esses sonhos se realizem em nossas vidas.

       No meio de toda essa realidade, Jesus em pessoa (cf. Lc 24, 15b), se coloca a caminho com os seus discípulos. Cristo, por sua vez, começa a fazer uma releitura cristológica da história da Salvação e os seus corações começam a se inflamarem com as palavras de Dele. No final do caminho, apesar de não terem ainda reconhecido o Senhor, eles abrem suas casas para aquele Peregrino do Amor. Esse “se abrir”, é o ponto necessário para que Deus realize algo novo em nós. Os discípulos, porém, só o reconheceram quando Jesus partiu o Pão Consagrado e seus olhos se abriram e esse novo se realizou em suas vidas.

       O evangelho fala que Jesus desapareceu de suas vistas ao partir o Pão Consagrado. Porém, Jesus permaneceu presente nesse Pão que eles haviam apenas comungado. Jesus se fez presente neles por meio da Eucaristia, e eles reconheceram essa presença. Os seus corações se encheram de alegria e força, tamanha força que os impulsionou a voltar apressadamente para Jerusalém, afim de anunciar tudo que haviam visto.

       O anúncio da Ressurreição deve produzir em nós esse efeito novo. Esse efeito é a nossa resposta dada com um coração inflamado, novo, vivo. Por isso, diante do anúncio da Igreja que clama: “O Cristo Ressuscitou!”, a nossa resposta não pode ser outra, senão: “Ele verdadeiramente Ressuscitou! ALELUIA!”

       Que Deus nos dê a graça de viver essa experiência dos discípulos de Emaús e que a Luz do Ressuscitado resplandeça sobre nós durante este período pascal de nossas vidas.

Leandro Perpétuo

Com. Amigos de Jesus

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