SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI

May 31, 2018

       Na solenidade de hoje, lemos o mesmo Evangelho que é proclamado na Quinta-Feira Santa, quando se evoca e Última Ceia. Voltamos assim aos dias da Paixão e da dádiva que Cristo faz do seu Corpo e do seu Sangue, portanto da sua vida. Ele oferece-se a si próprio num gesto de amor extremo, como sinal da Aliança, como alimento da salvação e como princípio de uma vida nova para todos nós.

 

       No entanto, como lemos este Evangelho depois da Ascensão e do Pentecostes, e assim à luz da plenitude do Mistério Pascal, esta narrativa tem um enquadramento e um significado novos. De uma certa forma é como se este Evangelho se prolongasse infinitamente.

       Com efeito, graças ao Espírito e neste Espírito, o gesto de Jesus torna-se eterno, infinito e sempre aberto para que todos a ele possam aceder e alimentar-se.

       Nesta passagem, Jesus dá muita atenção aos preparativos. (Marcos 14,22 – 16), De certa maneira é Jesus quem prepara e torna possível esta refeição. Embora a iniciativa pareça vir dos discípulos (“Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa? (Marcos 14-12), não é assim. Estes descobrem com efeito que já há uma divisão preparada, um lugar já parece ter sido arranjado por alguém (Marcos 14.15). Os discípulos só terão de levar o necessário para o jantar, ou seja, cabrito, as ervas amargas, o pão e o vinho para recordarem a saída de Israel do Egito.

       Tudo o que eles trouxeram será posto nas mãos do Senhor e tornar-se-á em Eucaristia.

Aliás os discípulos perguntam a Jesus onde devem preparar a refeição da Páscoa (14-12). Na realidade isto não acontecerá da forma como estavam à espera. Pois não será Ele que comerá esta Páscoa, mas Ele que se oferecerá como alimento para que os discípulos possam ter um alimento de vida eterna, um alimento completamente novo.

       Por fim, os discípulos são simplesmente chamados a acolherem a realização de uma dádiva preparada desde sempre. Mas também de uma dádiva para a qual eles próprios se devem preparar. É uma dádiva tão grande que necessita tempo e preparação para ser compreendida. Esta dádiva necessita de um percurso que possa, pouco a pouco, mostrar a grandeza de um tal mistério. É por esta razão que a Igreja, mesmo existindo diferentes tradições conforme os locais, só permite o acesso à Eucaristia depois de uma certa preparação e da manifestação da compreensão desta dádiva. E mesmo nos tempos de hoje, em que o “imediatamente” e o “tudo, já” são aparentemente conquistas sociais, a Eucaristia permanece um mistério que necessita de tempo, de acolhimento e de compreensão.

       A Eucaristia é, antes de mais, uma experiência de comunhão. O que os discípulos estão prestes a viver não é somente um momento de convívio, não é só a lembrança de uma noite de salvação, mas sim a dádiva da vida que torna o amor possível. É a fonte da qual provém toda a possibilidade de comunhão. E isto é o cumprimento da Aliança. Na Eucaristia, o amor é o verdadeiro alimento.

       Sem esta dádiva não há comunhão possível, pois é no mistério desta refeição que o homem encontra o perdão que o faz viver e o torna capaz de amar outra vez. A comunhão não é possível sem a participação neste corpo partilhado e dado, sem este corpo que nos une a ele num só corpo.

       Com o gesto de tomar nas suas mãos o pão e o vinho, que representam toda a vida do homem e de a oferecer ao Pai, Jesus restitui a nossa vida Àquele que no-la deu e faz dela uma dádiva aos nossos irmãos.

       Assim a Eucaristia não é só um gesto pontual como também não é um simples momento da vida Jesus. É antes o estilo desta vida, o modo habitual de a viver. A Eucaristia torna-se uma forma de ser e de se relacionar com a vida, tomando-a nas mãos tal como ela é para depois a oferecer como dádiva e a restituir.

       Voltamos, assim, uma vez mais ao versículo inicial do Evangelho segundo São Marcos, às primeiras palavras de Jesus segundo as quais o reino está próximo. (Marcos 1,15).

       Somos assim levados, hoje, a melhor compreender o que significam estas palavras e como o Reino de Deus está próximo. Está próximo e está presente na Igreja que vive a Eucaristia, ou seja, quando ela se deixa impregnar ao ponto de esta se tornar a sua vida, a sua forma de amar e de servir.

D. Pierbattista Pizzaballa

Arcebispo de Jerusalém

fonte: https://www.lpj.org/meditacao-corpo-sangue-cristo-b/?lang=pt-pt

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