Meditação do 19º Domingo do Tempo Comum

August 12, 2018

          No passado Domingo, vimos as primeiras reacções do povo perante o milagre do pão, como foi dito no capítulo VI do Evangelho segundo São João.

          As pessoas procuram Jesus, mas este pede que clarifiquem o motivo que está por detrás desta procura: que procuram eles? Que fome os motiva?

          E, como Ele fez com a fome da Samaritana, ele age da mesma forma com eles: da mesma forma que há água viva que mata a sede de sempre (João 4,14), há também um verdadeiro pão que alimenta a fome de vida eterna.

 

          Em seguida, tratar-se-á de compreender o que é este pão e de onde vem ele, quem no-lo dá e como podemos ser alimentados.

          A primeira declaração de que vamos falar é a que encontramos no versículo 49: “Os vossos pais comeram o maná no deserto e estão mortos”.

          A palavra “morte”, assim como a palavra “vida” aparecem várias vezes nestes versículos e ajudam-nos a compreender onde está o problema, de que fala Jesus. Jesus fala do problema fundamental do homem, ou seja, da sua vida e da sua morte.

          Israel, no seu caminho no deserto, teve uma experiência” a do maná: Deus, durante muitos anos, tratou de lhe dar o pão de cada dia, ele acalmou a sua fome.

          Não era um pão qualquer, vinha do céu e era o sinal da presença de Deus na vida do seu povo.

Era com certeza maravilhoso, mas não o foi o suficiente para impedir os que o comiam de morrer. Eles comeram-no, mas morreram todos. Era um pão que tinha uma vida consagrada à morte.

          Nós comemos para viver; no entanto o pão de que dispomos é um pão que não evita a morte.

Haverá também um pão para alimentar a vida? Um pão de vida eterna? Como poderá existir tal pão?

O Evangelho de hoje diz-nos que não poderemos dar nenhuma resposta a esta pergunta sem nos deixarmos ser atraídos para o Pai (João 6,44).

          Este pão não é trabalho do homem, como o dissemos por diversas vezes, é uma dádiva de Deus. Sozinho o homem não pode compreender a grande diferença, o grande paradoxo deste pão, o que Jesus resume no último versículo que hoje lemos: “O pão que darei é a minha carne, dado para que o mundo tenha vida”. (João 6,51).

          O que é motivo de espanto é que a carne de Jesus, na sua vida humana é frágil, toda a vida de Deus torna-se pão para os homens, alimento de uma verdadeira vida.

          O escândalo é que a vida do céu passa pela vida de um homem, pela sua carne: não há vida de Deus sem a incarnação de Jesus que escolheu dar-nos a sua vida como alimento, como uma dádiva. E isto simplesmente porque o homem pode, por fim, viver uma vida que vai para lá da morte. Com efeito aquele que comer deste pão terá a vida eterna. (João 6,51).

          Razão pela qual é um verdadeiro pão (João 6,32) e é um pão vivo: só o que está vivo nos pode alimentar da vida eterna. O maná que alimentou a vida na terra, a que morre; a carne de Cristo alimenta-nos da vida do Pai que não morre.

          Para compreendermos isto, basta entrar na experiência da fé, que é uma questão de atracção e não de esforço humano: é receber este trabalho que Deus faz misteriosamente no Homem.

Porque todos somos atraídos por Deus, todos seremos ensinados por Ele (João 6,45), ninguém será excluído.

          A atração não é um constrangimento: ninguém é obrigado a comer deste pão. Só o comem aqueles que se preocupam com a sua fome, os que aceitam receber um presente vindo do alto, os que não estão satisfeitos, os que continuam à procura.

          Para aqueles que não têm esta atitude, a alternativa é a recriminação, o murmúrio (João 6, 41.43), como o fazem os israelitas antes da afirmação pela qual Jesus proclama o verdadeiro pão do céu.

          Eles têm o pão da vida diante deles, mas não o aceitam porque deixaram de procurar, porque não aceitam o facto de serem surpreendidos.

          O murmúrio é o refrão que acompanha o povo de Israel no deserto, quando ele não se lembra que Deus providencia todas as nossas necessidades quando deixa prevalecer o medo da morte. E é a tentativa do homem para compreender sem ouvir, de fazer prevalecer o que é visto ao que é verdeiro: é a resistência à atracção exercida pelo Pai.

          Todos sentirão assim a atracção: e há os que se deixam atrair, comer e viver.

 

Dom Pierbattista Pizzaballa

Arcebispo de Jerusalém

Fonte: https://www.lpj.org/meditacao-de-mons-pizzaballa-19o-domingo-do-tempo-comum-ano-b/?lang=pt-pt

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