Família Martin, exemplo e modelo para as famílias modernas (Parte V)

September 20, 2018

A FAMÍLIA MARTIN:

Harmonia Conjugal

 

       Luís e Zélia, tem como ponto de apoio uma amizade sólida, cheia de ternura e cumplicidade, que com o tempo intensificou e aprofundou. Viveram um para o outro, entregando-se sem reservas. A esposa admirava o esposo. Depois de quatro anos de vida em comum, escrevia referindo-se a ele: “Continuo a ser muito feliz com ele, torna-me a vida muito agradável. O meu marido é um santo e que todas as mulheres tenham um como ele[...]”[1]

       As cartas que o casal mandou um para o outro, mostram sempre a vivacidade de um amor cheio de ternura, que não muda, é sempre vivo e constante, como de um recém-casado. Em uma carta de Zélia para o marido, quando estavam distantes por motivo de viagem, percebe-se a união e amor que existe, após 15 anos de vida matrimonial:

       “Não me sinto à vontade, não estou no meu ambiente. [...] Está demorando muito para estar ao seu lado, meu querido Luís; amo você de todo o meu coração, e ainda sinto dobrar minha afeição pela privação de sua presença; seria impossível para mim viver longe de você. [...]Beijo-o do mesmo modo como o amo”.[2]

       O casal Martin, viveu no amor, na cumplicidade, na união, dando ao lar a estabilidade emocional às filhas. A harmonia familiar é a grande base para uma educação equilibrada e uma relação bem estruturada, como ensina a Exortação Apostólica Amoris Laetitia:

 “O amor de amizade unifica todos os aspectos da vida matrimonial e ajuda os membros da família a avançarem em todas as suas fases. Por isso, os gestos que exprimem este amor devem ser constantemente cultivados, sem mesquinhez, cheios de palavras generosas.”

       Hoje as relações estão superficiais, pessoas com medo de se entregarem em algo definitivo, prevalecendo o medo e a desconfiança nos relacionamentos. O amor dos pais é como modelo para as relações sociais dos filhos, que devem crescer sendo valorizados como um dom e reconhecendo que o outro também o é para ele, conforme afirma a Exortação Familiaris Consortio:

O dom de si, que inspira o amor mútuo dos cônjuges, deve pôr-se como modelo e norma daquele que deve ser atuado nas relações entre irmãos e irmãs e entre as diversas gerações que convivem na família. E a comunhão e a participação quotidianamente vividas na casa, nos momentos de alegria e de dificuldade, representam a mais concreta e eficaz pedagogia para a inserção ativa, responsável e fecunda dos filhos no mais amplo horizonte da sociedade.

       A harmonia no lar é importante para que alguns problemas citados no Sínodo das Famílias não se alastrem, como: dificuldades de relação e comunicação entre o casal/filhos/pais; divórcio, e até as dependências e vícios de álcool, drogas, pornografia e internet, pois, como afirma o psicanalista Evilázio Vieira: "Um bom relacionamento familiar é a principal arma de combate às drogas e aos problemas emocionais que acometem os adolescentes e os jovens".

 

 

Priscila Tuany Silva Graciano

Com. Amigos de Jesus

 

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[1] Louis et Zélie Martin, Correspondance Familiale, 1863-1885 [Luís e Zélia Martin, Correspondência familiar, 1863-1885], Éditions du Cerf, 2004.

 

[2] Idem 10.

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