Família Martin, exemplo e modelo para as famílias modernas (Parte VI)

October 1, 2018

A FAMÍLIA MARTIN:

Educação dos filhos para o céu

 

       Na época em que viveram o casal Martin, não havia uma preparação para o casamento e à vida conjugal. Luís que explica para Zélia a realidade da união física e de onde provém a criação. Zélia tinha o sonho de ter muitos filhos, mas, ignorava a realidade da união conjugal. Luís propõe um casamento sem união carnal e a proposta é aceita.

       Durante 10 meses, viveram como irmãos e por intervenção do padre confessor, compreenderam que a vida sexual é legítima e adequada aos esposos. Segundo o Catecismo da Igreja: “A sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre o homem e a mulher. No casamento, a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal e um penhor de comunhão espiritual.”[1]

       O que motiva o casal a interromper a santa experiência, foi a ambição de dar filhos e filhas ao Senhor. Zélia afirma ter sido “feita para ter filhos” e os dois reconheceram o chamado de terem muitos, para que possam “educa-los para o Céu”, como se vê na carta 192:

       “Quando tivemos nossas crianças, as nossas ideias mudaram um pouco. Nós vivíamos só para eles. Eles eram toda a nossa felicidade, e nós nunca a encontrávamos em qualquer coisa exceto neles. Em suma, nada era muito difícil, e o mundo não era mais um fardo para nós. Para mim, os nossos filhos foram uma grande alegria, então eu queria ter um monte deles, a fim de criá-los para o céu. “[2]

       As duas filhas mais velhas do casal, foram internadas em um colégio, anexo ao Mosteiro da Visitação, onde a irmã de Zélia era consagrada. Luís tomou essa iniciativa, para aliviar o trabalho da esposa, cuja saúde causava tantas inquietações. Estavam sempre preocupados e atentos ao desenvolvimento das filhas: “Os pais: não eram dos que se imaginam livres das responsabilidades da educação dos filhos por os terem confiado ao colégio. Não. Viam o cartão das notas, aplaudiam os êxitos, recordavam-lhes como se estivessem em casa.”[3]

       As crianças têm entrado cedo para as escolas nos tempos modernos e ficando muitas vezes em tempo integral, por conta do trabalho dos pais, ou por acreditarem que mais tempo na escola, garantirá um melhor futuro e educação. A Igreja afirma que o papel da educação dos filhos é um dever gravíssimo dos pais, conforme a Exortação Amoris Laetitia:

       “O Estado oferece um serviço educativo de maneira subsidiária, acompanhando a função não-delegável dos pais, que têm direito de poder escolher livremente o tipo de educação – acessível e de qualidade – que querem dar aos seus filhos, de acordo com as suas convicções. A escola não substitui os pais; serve-lhes de complemento. [...]

       A Igreja é chamada a colaborar, com uma ação pastoral adequada, para que os próprios pais possam cumprir a sua missão educativa; e sempre o deve fazer, ajudando-os a valorizar a sua função específica e a reconhecer que quantos recebem o sacramento do matrimónio são transformados em verdadeiros ministros educativos, pois, quando formam os seus filhos, edificam a Igreja e, fazendo-o, aceitam uma vocação que Deus lhes propõe.”

       Leônia, a terceira filha do casal, apresentava uma certa debilidade intelectual e deficiências físicas, motivadas por uma série ininterrupta de doenças, que tinham-lhe atrasado o crescimento. Após algumas tentativas de interná-la na escola, foi confirmado que o melhor seria a educação em casa. Zélia dizia: “quando as crianças são difíceis é aos pais que compete aturá-las.” Foi a mãe que a preparou para primeira comunhão, que ajudou no estudo do catecismo, que a animou aos primeiros sacrifícios.[4]

       A respeito da educação no lar, a filha afirmava: “Em nossa casa, a educação tinha por principal alavanca a piedade. Havia como que uma liturgia do lar: oração da noite em família, mês de Maria, Ofícios do Domingo, leituras piedosas à noite, etc.”[5]

       Luís e Zélia, reconheciam o seu papel no lar e eram cientes do dever de educar no amor, os filhos que o Senhor havia confiado, não faltando o amor materno e paterno, tão necessários para a educação e consolidação dos valores, eles cumpriam assim o que São João Paulo II, afirmou:

       [...] “o elemento mais radical, que qualifica o dever de educar dos pais é o amor paterno e materno, o qual encontra na obra educativa o seu cumprimento ao tornar pleno e perfeito o serviço à vida: o amor dos pais de fonte torna-se alma e, portanto, norma, que inspira e guia toda a ação educativa concreta, enriquecendo-a com aqueles valores de docilidade, constância, bondade, serviço, desinteresse, espírito de sacrifício, que são o fruto mais precioso do amor.”[6]

 

 

Priscila Tuany Silva Graciano

Com. Amigos de Jesus

 

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[1] CATECISMO da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.

[2] Idem 10.

[3] Idem 10

[4] Idem 10

[5] FACE, I. G. D. S. O Pai de Santa Teresa do Menino Jesus. [S.l.]: [s.n.], 1952.

[6] Exortação apostólica Familiaris consortio (Sobre a missão da Família Cristã no mundo de hoje). São Paulo: Loyola, 1982.

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