Sacrifício de Amor

Caros irmãos, que alegria poder partilhar com vocês, aquilo que o Senhor tem realizado em minha vida. Em Janeiro deste ano de 2020, tive a graça de peregrinar junto com o Fernando, meu esposo e João Henrick, meu bebê de 5 meses, na cidade de Fátima em Portugal.

O meu coração foi cheio de expectativas em relação a esse lugar tão impressionante, onde a Mãe de Jesus apareceu por seis vezes a três crianças: Lúcia de 10 anos, prima dos irmãos Francisco de 8 anos e Jacinta de 7 anos.

Nossa Senhora de Fátima traz-me doces recordações da minha infância, porque foi a ela, que por muitas vezes estive a realizar coroações durante o mês de maio. Lembro-me que sentia o meu coração acelerar quando ouvia a canção: “... a 13 de maio na cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria...”. Nessa hora, subia no altar com outras crianças para coroar Nossa Senhora. Era sempre emocionante!

Foi cantando interiormente essa canção que, entrei na Basílica de Nossa Senhora de Fátima. Eu tinha alguns minutos para percorrer a igreja, antes que se começasse a Santa Missa. Fomos até o presbitério da Basílica e lá estavam, nas capelas laterais, os túmulos dos 3 pastorinhos. De um lado Francisco, do outro Lúcia e Jacinta. Não conseguia parar de contemplar aqueles túmulos e, de uma forma especial, os das duas crianças, Francisco e Jacinta que, tão cedo foram para junto de Deus. Agora, permanecia ali os restos mortais desses dois santos, que a Igreja elevou aos altares, Santa Jacinta e Santo Francisco Marto.

“Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de suplica pela conversão dos pecadores?” Essa foi a pergunta feita a elas por Nossa Senhora. A resposta afirmativa foi rapidamente dada por essas crianças. Nossa Senhora disse, também, que Francisco e Jacinta morreriam logo, o que de fato aconteceu muito rapidamente. Ambos contraíram o que, provavelmente, teria sido a Gripe Espanhola. O que para o mundo poderia ser visto como uma fatalidade, na verdade foram duas vidas oferecidas como uma oferta agradável a Deus. Lúcia permaneceu entre nós até o ano de 2005. Ela teve, até os 97 anos de idade, a incumbência de ser portadora da mensagem de Fátima.

Em razão das aparições, as crianças foram perseguidas, tidas como farsantes, presas e, por fim, os dois irmãos tiveram suas vidas ceifadas pela doença. Como eram, porém, aquelas crianças, suas famílias, o que havia de especial nelas que as fizeram ser tão abertas à ação de Deus? A resposta a essa pergunta, veio no dia seguinte de nossa peregrinação.

No dia seguinte, partimos para um vilarejo chamado Aljustrel, uma pequena aldeia perto de Fátima, há 2 Km do Santuário. Fizemos o percurso a pé por uma linda estrada de pedra, toda marcada com os passos de Jesus na Via-Sacra, cheia de frases dos santos e mensagens de Nossa Senhora. Aquele lindo e misterioso caminho nos levou à casa dos irmãos Francisco e Jacinta e, também, da casa da prima deles, Lúcia.

A primeira coisa que vimos na casa de Francisco e Jacinta, foi o quarto onde Francisco morreu. Uma bacia e uma jarra no canto da cama, algumas peças de roupas penduradas em um cabideiro, dava-nos a impressão que ele havia acabado de sair do quarto. Em toda casa, mobílias e utensílios da época das crianças, fotografias da família, o quarto onde os pais dormiam e onde as crianças nasceram, no quintal tinha um pequeno curral com ovelhas, que nos faz recordar o ofício das crianças.

Há alguns passos dali, encontramos a casa de Lúcia que, não menos que a casa dos primos, surpreendeu-nos pela simplicidade e acolhimento. Nesse lar, Lúcia foi crescendo em vários aspectos da vida, tornou-se uma criança séria e decidida. Graças a boa formação dos pais que, apesar de pobres, eram honestos, trabalhadores, generosos e cristãos piedosos, viviam unidos no trabalho e na oração.

De fato, aquelas crianças haviam recebido dos pais, o que precisavam para ter o coração nas coisas de Deus. Sabemos que essas crianças foram escolhidas para transmitir a mensagem da Mãe de Deus para a humanidade. Creio que elas foram preparadas em casa pelos pais. A formação que essas crianças receberam em casa havia impregnado em seus corações docilidade para as coisas de Deus. Suas conversações, brincadeiras, hábitos favoreciam a piedade e a oração.

“No pátio da sua casa, sempre que podiam, estavam a brincar. Um dos fatos ocorridos foi quando Jacinta, ao perder a brincadeira, sugere a Lúcia: – Por que não me mandas beijar aquele Nosso Senhor que está ali? (era um crucifixo que havia pendurado na parede). – Pois sim – respondi. – Sobes acima duma cadeira, traze-o para aqui e, de joelhos, dá-lhe três abraços e três beijos: um pelo Francisco, outro por mim e outro por ti. – A Nosso Senhor dou todos quantos quiseres. E correu a buscar o crucifixo. Beijou-o e abraçou-o com tanta devoção, que nunca mais me esqueceu aquela ação”. (Memórias da Ir Lúcia)

Entendo que o ambiente de um lar e tudo o que as crianças absorvem de uma família cristã favorecem corações devotados. A todo tempo, sentia-me impulsionada a rezar pelas crianças que fazem parte da minha vida: meus filhos, sobrinhos, afilhados, as crianças da minha comunidade... Desejei, ardentemente, que todas essas crianças que conheço tivessem uma experiência com Jesus e crescessem em virtude e graça como foi a vida dos pastorinhos.

Partimos dali rumo aos lugares das aparições, em cada local onde Nossa Senhora apareceu foi possível sentir algo de misterioso e forte. A cidade de Fátima tem algo que não é possível expressar. Como é doce pensar que a “Mãe do meu Senhor, veio nos visitar”. Fátima é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. O conteúdo das suas mensagens ultrapassou o tempo das aparições e se atualiza em nossos tempos. O apelo feito por ela a humanidade, ainda é um apelo para os nossos dias: arrependimento, jejum, oração, conversão.

A Virgem Maria pediu aos três pastorinhos que rezassem o Terço todos os dias como que para indicar um caminho espiritual para as crianças do nosso tempo. Lúcia, Francisco e Jacinta se esforçavam para rezar o Rosário o mais que podiam, pois, Nossa Senhora lhes revelou que muitas almas vão para o inferno porque não têm quem reze por elas.

Assim como fizeram os pastorinhos, somos também chamados a rezar o Terço na intenção da salvação das almas dos pecadores. Devemos, também, ensinar as pessoas a rezar pedindo a intercessão da Virgem Maria, para a maior glória de Deus e a salvação das almas! Clamar a intercessão de Nossa Senhora de Fátima, significa não somente atender os seus apelos, mas também, tomar posse da promessa feita por ela à humanidade: “Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz”.


Kelly Emerick

Fundadora da Com. Amigos de Jesus

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