Como viver bem a Quaresma?

Estamos iniciando o tempo quaresmal, um tempo de conversão. Um tempo onde a Igreja nos convida a voltar o nosso coração para Deus, um tempo de revisão e mudança de vida. Quando falamos em conversão, não nos referimos somente àquela mudança onde antes eu não ia à Igreja e agora eu passo a ir. Trata-se de um chamado, à conversão, ainda mais profundo, uma conversão onde “renuncio a mim mesmo, abraço a Cruz de Cristo e caminho em direção a Santidade” (Cf. Lc 9, 23).

Com os acontecimentos do último ano, nos deparamos com um mundo sem fé, onde diante de uma pandemia, eram poucos aqueles que colocavam a sua confiança em Deus e muitos que colocavam sua confiança no mundo e na ciência. Certamente, devemos esperar que a ciência cumpra o seu dever em favor da vida e da humanidade, porém, devemos esperar ainda mais em Deus que é o autor da Vida. Aliás, nas últimas décadas, temos visto como a ciência já abandonou, de forma declarada, o seu dever de defender a vida humana, sendo a favor do aborto, da eutanásia e outros métodos que buscam implementar, no mundo, uma cultura de morte.

Sendo assim, se torna ainda mais necessário um apelo para vivermos a Quaresma como um tempo de conversão e reparação às ofensas realizadas contra a vida e contra Jesus Cristo.

Quando falamos de conversão e reparação, nos recordamos das aparições marianas dos últimos tempos. Em todas elas, a Virgem Maria nos chamava à conversão e à reparação das ofensas contra seu Filho, Cristo Jesus: Aparição de Nossa Senhora em Lourdes (França), La Salette (França), em Fátima (Portugal), em Akita (Japão) e até mesmo aquelas que ainda não foram aprovadas pela Igreja, mas, temos visto uma crescente devoção popular como a Aparição de Garabandal (Espanha) e de Medjugorje (Bosnia).

Sabemos que as aparições marianas não são dogmas de fé, como aqueles contidos no Credo, mas, entram no âmbito das revelações privadas que, portam em si um apelo para que a humanidade se converta e viva uma vida santa, coerente com o Evangelho de Jesus Cristo.

Dito isso, nos resta saber como podemos viver bem a Quaresma. Olhando para os ensinamentos da Igreja e para os exemplos dos santos, vemos que o primeiro passo para vivermos estes quarenta dias de preparação para a Páscoa é meditar a paixão de Jesus Cristo. Para nos ajudar nesse propósito, podemos pegar algumas meditações quaresmais como por exemplo as meditações de Santo Afonso Maria de Ligório ou de São Tomás de Aquino, ou ainda, as meditações do Pe. Raniero Cantalamessa.

Outra proposta da Igreja para vivermos bem a Quaresma, juntamente com as meditações da Paixão de Cristo, são aquelas orientações de ordem prática como realizar obras de caridade e dar esmola como forma de trabalharmos o nosso desapego pelas coisas e amor pelo próximo, juntamente com o jejum e a abstinência de carne, nas quartas e sextas para trabalharmos o domínio de nós mesmos.

Todas essas meditações, sacríficios e penitências têm como objetivo a nossa conversão, para que olhando para nossa vida, nos decidamos a largar os nossos vícios e imperfeições e crescer em uma vida santa e virtuosa.

Unindo a Quaresma às aparições marianas, podemos, também, nos propor a viver este tempo com Maria, por meio da oração do Santo Terço. Ela, também, nos pede, em suas aparições, para rezá-lo para alcançarmos a nossa conversão e em reparação das ofensas contra Cristo. Além, é claro, de buscarmos os sacramentos da confissão e da Eucaristia.

Que o Espírito Santo e a Virgem Maria nos ajude a vivermos este tempo de conversão e santificação para que, renunciando ao homem velho, nasça um homem novo em Cristo Ressuscitado!


Leandro Perpétuo

Celibatário da Comunidade Amigos de Jesus

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